Para Bolsonaro, denúncias de corrupção não têm consistência

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Nesta quinta-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que, no seu governo, “não tem denúncias consistentes sobre corrupção”. A fala de Bolsonaro chega após uma série de suspeitas de corrupção em seu governo, antes ele tinha afirmado que isso acontecia desde que ele tomou posse. A fala representa um ajuste no seu discurso sobre corrupção.

“Nosso governo, até o momento, não tem apresentado desvios de recursos, não tem denúncias consistentes sobre corrupção. Digo mais, se aparecer [denúncia], nós ajudaremos a identificar possíveis culpados e ajudar para que a justiça decida seu destino”, afirmou o Presidente da República.

O discurso foi realizado em uma solenidade de entrega da obra Vertente Litorânea, situada em Itatuba, na Paraíba. Sustentar uma fala de governo sem corrupção ficou cada vez mais difícil após os escândalos envolvendo o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, terem sido deflagrados em um possível esquema de desvio de verbas da pasta para favorecer pastores aliados do presidente.

Além disso, o escândalo se somou a suspeitas antigas em relação ao seu governo, como ter se aliado ao famoso “Centrão”, que tanto criticou antes de assumir o posto de presidente e as constantes ações para interromper investigações realizadas por órgãos de fiscalização. No entanto, é bem comum, desde o processo de redemocratização, que sejam levantadas suspeitas de crimes de corrupção em mandatos presidenciais.

Viagem ao nordeste exalta entregas do governo

Além do discuso anti-corrupção, a viagem ao nordeste é um importante passo da campanha política de Jair Bolsonaro. A região, historicamente, dedica a maior parte dos votos ao PT de Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário nas eleições presidenciais deste ano. Com isso, na passagem ao interior da Paraíba, fez questão de exaltar as entregas do governo em relação à transposição do Rio São Francisco.

“É uma satisfação muito grande retornar ao meu Nordeste”, discursou Bolsonaro. Ainda, segundo ele, seu governo foi responsável por liberar o povo nordestino “da escravidão do carro pipa”.

O Presidente da República aproveitou o evento para cutucar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recentemente, Lula entrou em polêmica com profissionais da segurança pública e, com isso, Bolsonaro aproveitou o discurso para dizer que o “Brasil tem um presidente que acredita em Deus, que respeita seus policiais e militares”.

Nesse sentido, o discurso acaba sendo bastante oportuno para Jair Bolsonaro, visto que seu governo também enfrenta uma crise com profissionais da segurança pública, neste caso, com policiais federais. Bolsonaro havia prometido entregar a reestruturação de carreiras aos policiais, o que não foi cumprido.

Inclusive, na última assembleia da ADPF (Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal), os delegados decidiram fazer uma paralisação, atingindo serviços específicos do órgão, de forma parcial e progressiva, de acordo com informativo da associação.

Os delegados também pediram, em proposta aprovada em assembleia, pediu a renúncia do ministro da Justiça, Anderson Torres. Os delegados citaram o “desprestígio e desrespeitoso tratamento dado pelo presidente da República à Polícia Federal e ao próprio ministro”.

 

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