Pré-candidatos à eleição de 2026 já arrecadaram mais de R$ 500 mil por meio de vaquinhas virtuais, segundo levantamento da plataforma Quero Apoiar. Os dados abrangem as contribuições efetuadas desde a liberação do financiamento coletivo pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no dia 15 de março.
Conforme informações divulgadas pela empresa autorizada e acompanhadas pela CNN, o partido Missão, criado pelo MBL e registrado no TSE desde novembro de 2025, concentra acima de R$ 200 mil em doações neste início de pré-campanha. A modalidade só pode ser operada por plataformas previamente cadastradas junto ao TSE, incluindo a identificação do doador – nome e CPF – além da emissão obrigatória de recibo eleitoral.
O procedimento determina que o repasse dos valores arrecadados aos pré-candidatos seja realizado apenas após a abertura de conta bancária exclusiva de campanha e o envio dos documentos exigidos pela lei eleitoral. Desde 2017, a legislação veda o financiamento empresarial, limitando as doações a pessoas físicas residentes no Brasil.
Financiamento coletivo eleitoral em 2026
O termo principal, financiamento coletivo eleitoral, fundamenta-se na reforma aprovada pelo Congresso em 2017, que permitiu às pré-campanhas e campanhas angariarem recursos via plataformas digitais credenciadas na Justiça Eleitoral. Essa iniciativa surgiu como alternativa após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir aportes de pessoas jurídicas nas disputas eleitorais em 2015, redirecionando a força do financiamento para cidadãos.
Dados da plataforma Quero Apoiar apontam que o pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) lidera as arrecadações, com R$ 166.629 recebidos de 2.406 contribuintes até o fechamento do primeiro fim de semana de operação. Em seguida aparecem Marcel van Hattem (Novo-RS), pré-candidato ao Senado, com R$ 133.876, e Gustavo Gayer (PL), também concorrente ao Senado, com R$ 55.974.
Comparando 2026 com as eleições de 2024, observa-se que o financiamento coletivo já garantiu receitas superiores a R$ 7 milhões às campanhas municipais, segundo estatísticas da Justiça Eleitoral. Nesse ciclo, 160 candidatos a prefeito declararam recursos captados via vaquinhas, dos quais 12 foram eleitos no primeiro turno, sinalizando crescimento desse método.
Exigências para plataformas e transparência
Para operacionalizar as vaquinhas, as plataformas devem preencher diversos requisitos, entre eles registro no TSE, notificação automática de cada transação para a Justiça Eleitoral e candidatos, além da prestação pública e atualizada dos dados arrecadados. O órgão fiscaliza também a divulgação das taxas administrativas praticadas e a regularidade da emissão dos recibos eleitorais.
Atualmente quatro empresas têm autorização para intermediar o financiamento coletivo:
- AppCívico Consultoria
- Elegis Gestão Estratégica
- GMT Tecnologia
- QueroApoiar.com.br Ltda.
Contudo, só a última tornou públicas as informações detalhadas sobre valores e perfis de arrecadadores neste início de ciclo.
Partidos que mais arrecadam e impacto das regras
O partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre, aparece como líder em volume de doações entre as siglas, ultrapassando R$ 200 mil nos primeiros dias da pré-campanha. Em contrapartida, siglas tradicionais concentram montantes menores, reflexo do protagonismo de novos grupos na mobilização digital de suas bases.
A legislação exige prestação de contas minuciosa e veda anonimato, reforçando rastreabilidade e impedindo contribuições acima dos limites individuais previstos para cada cargo, conforme tabela publicada anualmente pelo TSE. Qualquer irregularidade pode resultar em rejeição das contas do candidato e penalidades previstas na Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997).
Histórico e projeção
O modelo de financiamento coletivo deve se consolidar como ferramenta relevante para candidatos fora das grandes estruturas partidárias. Em comparação a ciclos anteriores, a tendência é que as vaquinhas virtuais sigam em expansão e ganhem ainda mais importância no cenário eleitoral brasileiro.


