Três pessoas morreram no colapso de um edifício de quatro andares na Baixa das Pedrinhas, Salvador, no sábado, 16 de maio. O Departamento de Polícia Técnica da Bahia identificou as vítimas como Raimundo Brito dos Santos (60 anos), Maurício Santos Lima (51 anos) e Roberto Carlos Evangelista da Silva (58 anos), com um dos corpos encaminhado para Conceição do Coité, a 230 km da capital.
O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia informou que os trabalhos de resgate envolveram cerca de 30 profissionais e ao menos um cão especializado em localização de vítimas. Equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Defesa Civil de Salvador e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência colaboraram na operação, conforme nota oficial do governo estadual publicada ainda no sábado.
A ação de salvamento seguiu protocolos específicos para colapsos estruturais, com varredura gradual das áreas comprometidas, destacando-se a complexidade do cenário devido aos escombros. O comandante-geral do CBMBA, coronel Aloisio Fernandes, pontuou a necessidade de abordagens coordenadas para minimizar riscos às equipes.
O governador Jerônimo Rodrigues afirmou ter mobilizado órgãos estaduais imediatamente e anunciou investigação das causas do desabamento, uma etapa obrigatória segundo as diretrizes da Lei nº 12.608/2012, que trata da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil.
Impacto regional e organização das equipes de resgate
O desmoronamento do prédio na Baixa das Pedrinhas destaca desafios recorrentes de segurança estrutural em áreas urbanas da Bahia, especialmente onde imóveis não atendem plenamente normas técnicas de construção. Segundo dados recentes da Defesa Civil de Salvador, a região metropolitana possui histórico de incidentes similares, sobretudo em períodos de chuvas intensas.
A mobilização das equipes incluiu atuação integrada dos órgãos estaduais e municipais, seguindo o plano de resposta emergencial previsto pela Defesa Civil nacional. Em ocorrências de colapso estrutural, a utilização de cães farejadores agiliza o processo de localização de vítimas ocultas sob destroços, tornando o resgate mais eficiente nas primeiras horas após o sinistro.
Comparando o incidente ao desabamento ocorrido em 2024 no bairro do Lobato, Salvador, nota-se evolução logística no acionamento de recursos humanos e materiais. À época, as tentativas de resgate enfrentaram restrições operacionais por falta de equipamentos específicos, diferença observada na ação mais recente reportada pelo CBMBA.
Causas, investigação e legislação vigente
Apesar do início imediato do resgate, até o momento não há indícios concluídos quanto à causa do desabamento na Baixa das Pedrinhas. O inquérito instaurado será conduzido conforme prevê o artigo 27 da Lei nº 13.425/2017, que regula diretrizes para prevenção e atuação em situações de risco estrutural. A norma exige fiscalização periódica e responsabiliza proprietários e síndicos por manutenção adequada.
Especialistas do Departamento de Polícia Técnica devem realizar perícias para identificar falhas estruturais, infiltrações ou possíveis irregularidades no projeto do edifício. Histórico de denúncias junto à Defesa Civil pode servir de subsídio à investigação, que busca determinar se a propriedade atendia exigências exigidas para habitação coletiva.
A apuração das causas é relevante não só para responsabilização, mas para ampliar o debate sobre fiscalização predial na capital baiana. Dados do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-BA) indicam que mais de 2 mil imóveis foram notificados nos últimos dois anos por problemas em estrutura, reforçando a necessidade da aplicação rigorosa das normas.
Atendimento às famílias e atualização dos procedimentos
A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado da Bahia confirmou assistência às famílias das vítimas, com orientação psicológica, emissão de documentação emergencial e auxílio funeral. Algumas dessas medidas seguem políticas estaduais de atendimento pós-tragédias e são essenciais para dar suporte imediato aos afetados pelo ocorrido.


