A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) prevê, em 2026, realizar reuniões exclusivamente com candidatos à presidência alinhados à direita, logo após as convenções partidárias de julho, excluindo o presidente em exercício. A confirmação foi feita pelo presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), à CNN Agro. O grupo mantém o formato dos pleitos anteriores, privilegiando o diálogo sobre agendas do agronegócio diretamente com presidenciáveis que tenham maior afinidade com o setor. Segundo Lupion, não há prazo fixo para o envio de convites, mas a prática já se consolidou nos ciclos eleitorais anteriores.
Segundo dados da própria FPA, são cerca de 343 parlamentares, o que faz dela a maior bancada do Congresso Nacional de acordo com registros oficiais. A relevância política do grupo se deve ao apoio articulado entre produtores rurais e entidades representativas. Nas campanhas eleitorais, a FPA tradicionalmente aguarda o segundo turno para declarar apoio institucional, padrão que ganhou força desde 2022.
A principal mudança neste ciclo é a exclusão de candidatos de esquerda, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O argumento da FPA é que o alinhamento da bancada é predominantemente à direita. Ainda assim, cada estado poderá manifestar seus próprios apoios, refletindo as dinâmicas do agronegócio regional.
O processo de sucessão na liderança da FPA é conduzido por consenso interno, sem espaço para disputas abertas. Para 2026, Lupion buscará a reeleição como deputado, mas não tentará novo mandato à frente da bancada devido à mudança de estatuto que limita reeleições. O deputado Zé Vitor (PL-MG), atual coordenador político da FPA na Câmara, é apontado como possível sucessor, mas a decisão final dependerá de acordo coletivo.
Impacto das articulações da FPA no cenário eleitoral
Como maior grupo multipartidário do Legislativo, a atuação da FPA permite influenciar planos de governo em temas como crédito rural, segurança jurídica fundiária e exportação de produtos do agro. As sessões do grupo com presidenciáveis costumam culminar em compromissos formalizados por meio de cartas-programa, documentos que orientam decisões estratégicas de futuros mandatários, mesmo sem caráter obrigatório.
O padrão de recepção restrita somente a candidaturas de direita já havia se repetido em eleições anteriores. Em 2022, a FPA apoiou majoritariamente Jair Bolsonaro (PL), com a adesão reforçada após o primeiro turno. Dados do Tribunal Superior Eleitoral revelam que candidatos apoiados pela FPA costumam obter mais de 60% dos votos do eleitorado rural em regiões como Centro-Oeste e Sul.
A ausência de consenso nacional sobre um nome único para apoio até o segundo turno cria espaço para fragmentação do apoio por estado. Regiões como Goiás e Minas Gerais, citadas por Lupion ao mencionar Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), ganham relevância como polos de influência e articulação local.
Funcionamento e relevância institucional da FPA
Fundada em 1995, a FPA tornou-se referência na defesa dos interesses do agronegócio no Congresso, sendo responsável pela apresentação de emendas e projetos estratégicos para o segmento. Embora o regimento a defina como suprapartidária, seu funcionamento prático privilegia alianças com bancadas ruralistas e partidos com interesses convergentes.
O protagonismo da FPA nas rodadas de diálogo com presidenciáveis garante participação ativa na formulação de políticas públicas relevantes para infraestrutura rural, desoneração fiscal, pesquisa agropecuária e regulação ambiental. Sua representatividade faz com que seja consultada em debates legislativos sobre o Código Florestal, defensivos agrícolas e importações de insumos essenciais para o setor.


