MPF quer que caso de Milton Ribeiro seja enviado ao STF devido à possível interferência de Bolsonaro

Conforme o MPF, há indícios de que informações sobre o caso vazaram e que Bolsonaro poderia ter interferido de forma ilícita nas diligências

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O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta sexta-feira (24) para que a investigação sobre Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação, seja enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) devido aos indícios de que Jair Bolsonaro (PL), presidente da República, teria interferido nas investigações.

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Conforme o MPF, a alegação acontece por conta de interceptações telefônicas que mostraram Milton Ribeiro dando indícios que informações sobre o caso teriam vazado e que Bolsonaro poderia ter interferido de forma ilícita nas diligências.

“O MPF vem requerer que o auto, bem como o arquivo de áudio do investigado Milton Ribeiro, que aponta indício de vazamento da operação policial e possível interferência ilícita por parte do residente da República Jair Messias Bolsonaro nas investigações, sejam desentranhados dos autos e remetidos, de maneira apartada e sigilosa, ao Supremo Tribunal Federal”, escreveu o MPF.

O pedido do Ministério Público Federal foi aceito pelo juiz Renato Boreli, da 15ª Vara de Justiça Federal de Brasília e encaminhado ao STF, onde será analisado pela ministra Cármen Lúcia – assim como mostrou o Brasil123, Renato Boreli é o magistrado que mandou prender o ex-ministro: ele vem sofrendo ameaças pela decisão.

O ex-ministro foi preso porque é suspeito de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. As investigações sobre esses eventuais crimes começaram após um áudio divulgado pelo jornal “Folha de S.Paulo” revelar Milton Ribeiro falando que havia recebido um pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Esse pedido seria no sentido de que a liberação de verbas da pasta deveria ser direcionada para prefeituras específicas a partir da negociação feita por dois pastores evangélicos: Gilmar Santos e Arilton Moura, que também foram presos.

Apesar das suspeitas e da alegação do juiz Renato Borelli de que a prisão preventiva era necessária, pois medidas cautelares a serem aplicadas aos investigados seriam “inadequadas e insuficientes”, um desembargador mandou Milton Ribeiro e os demais capturadores serem soltos nesta quinta.

De acordo com Ney Bello, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Milton Ribeiro deve ser solto porque não integra mais o governo e os fatos investigados não são atuais. “Há ausência de contemporaneidade entre os fatos investigados”, afirmou.

Leia também: “Depende de prova”, diz Lula sobre a prisão de Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação

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