1 mês após as eleições, Pedro Castillo é oficialmente presidente do Peru

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Nesta segunda-feira (19) a justiça peruana finalmente se decidiu pela vitória de Pedro Castillo, agora novo presidente do Peru. O Júri Nacional de Eleições (JNE) afirmou no Twitter que declarou por unanimidade a improcedência dos cinco recursos apresentados na semana passada pelo partido Força Popular, de Fujimori. A posse está prevista para 28 de julho.

Esta é a terceira eleição consecutiva que Keiko Fujimori, candidata de direita, perde no país. A justiça estava averiguando os questionamentos que a oposição fez sobre a vitória de Pedro Castillo, com alegações de fraude.

Finalmente, na tarde de 12 de julho, o Júri Nacional terminou a análise de todos os questionamentos feitos por Keiko e seus partidários, abrindo caminho para a oficialização da vitória de Castillo.

A votação ocorreu em 6 de junho, mas a apuração mostrava margens minúsculas de diferença entre os dois candidatos. Keiko havia perdido por apenas 44 mil votos e, por esse motivo, acusou o adversário esquerdista de fraudar as eleições e até abriu um processo na justiça eleitoral contra ele. A polêmica gerou grande revolta pelo país e houve até um pedido de demissão por parte de um dos componentes do Júri Eleitoral, numa tentativa de atrasar o processo; porém, a vaga logo foi preenchida e a manobra, criticada.

Quem é Pedro Castillo, novo presidente do Peru?

O candidato de 51 anos surpreendeu pelo alto desempenho no primeiro turno. O novo presidente peruano nasceu na pequena cidade andina de Puña, na província de Chota, onde os moradores costumam usar chapéu de aba larga, como Castillo usava em suas viagens e até mesmo no único debate presidencial realizado nesta campanha.

Castillo ganhou fama em 2017, após liderar uma greve de professores de quase três meses exigindo aumento de salários dos professores. Na campanha, ele prometeu um aumento para professores públicos e ameaçou fechar o Congresso se os parlamentares não aceitarem seus planos. Segundo Castillo, a Suprema Corte do país defendia a “grande corrupção”; entretanto, durante sua campanha, o candidato recuou em suas visões radicais, dizendo que seguiria a Constituição “enquanto ela estiver em vigor”. Se Castillo seguir seus planos à risca, deverá em breve abrir uma nova Assembleia Constituinte.

Apesar de se intitular um candidato de esquerda, o presidente do Peru também é famoso por adotar certos posicionamentos conservadores. Por exemplo, Castillo sempre se recusou a legalizar o aborto, é contra o “enfoque de gênero” na educação e tem relutado em reconhecer os direitos de minorias sexuais. Ele ainda declarou que não é comunista, em resposta a uma das alegações feitas pelos fujimoristas.

“Vitória ilegítima”

Keiko Fujimoto demorou a aceitar sua derrota nas urnas, mas quando a justiça eleitoral peruana finalmente anunciou Castillo como o novo presidente, a candidata disse que iria “aceitar a vitória ilegítima” de seu adversário.

Fujimoto disse isso durante um pronunciamento feito no mesmo dia em que a Justiça Eleitoral informou que rejeitou seus últimos recursos; na ocasião, ela também afirmou que irá cumprir “o que mandam a lei e a Constituição que jurei defender”. Entretanto, a candidata acrescentou que “nossa defesa da democracia não termina com a proclamação ilegítima de Castillo”.

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