Política americana e relação China-Rússia

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Menos de três meses desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, quando e como o conflito terminará ainda não está claro. No entanto, já existem discussões acaloradas sobre o potencial impacto da agressão de Moscou na política externa dos EUA em relação à China, bem como a perspectiva estratégica mais ampla de Washington.

Entenda o caso 

No curto prazo, a guerra parece inviabilizar os esforços dos EUA para reequilibrar seu foco na região Ásia-Pacífico e na competição estratégica com a China, ironicamente porque as tropas ucranianas estão se saindo melhor do que o esperado. Dado o grande desequilíbrio entre as capacidades militares convencionais da Rússia e as da Ucrânia, muitos observadores razoavelmente presumiram que a Ucrânia se renderia rapidamente no caso de uma invasão russa em grande escala. 

Sendo assim, se a Ucrânia tivesse sofrido poucas baixas militares e civis, não está claro se os EUA teriam se envolvido significativamente, pois não teriam tempo suficiente para coordenar uma resposta com os principais aliados e parceiros. Além disso, não teriam de enfrentar a crescente brutalidade da Rússia na condução da guerra.

EUA em diplomacia 

O presidente Joe Biden está se preparando para uma viagem à Ásia no final deste mês, o diálogo visa lidar com a ascensão da China, já que seu governo está prestes a lançar sua primeira estratégia de segurança nacional sobre a ascensão da China como uma grande potência. De acordo com funcionários do alto escalão do governo Biden, não foi possível identificar qualquer apoio militar da China no conflito direto da Rússia com a Ucrânia, bem como, esforços sistemáticos para ajudar a Rússia a evitar nossas sanções.

O que a China tem feito? 

Além de evitar o apoio direto ao esforço de guerra da Rússia, a China evitou assinar novos contratos entre suas refinarias estatais e a Rússia, embora com grandes descontos. Prova disso é que em março, a estatal Sinopec Group suspendeu as negociações sobre um grande investimento petroquímico e empreendimento de comercialização de gás na Rússia. Além disso, no mês passado, o enviado dos EUA à ONU elogiou a abstenção da China em uma votação da ONU para condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia como uma “vitória”, enfatizando que o ato de equilíbrio forçado de Pequim entre a Rússia e o Ocidente pode ser o melhor resultado para Washington. 

Relação China e Rússia

China e Rússia têm sido adversários contenciosos, mas sob a liderança de Xi Jinping e Vladimir Putin, as relações entre os dois países estão mais próximas do que em qualquer outro momento desde os primeiros dias da Guerra Fria. Ambos os países possuem uma aliança informal. Considera-se que a China tem apenas um aliado oficial, a Coreia do Norte. No entanto, a invasão da Ucrânia pela Rússia forçou Pequim a andar na corda bamba diplomática, honrando seus compromissos com a Rússia sem permitir que suas relações com o Ocidente entrem em colapso.

Para a China, a Rússia é fornecedora de importantes matérias-primas, enquanto a Rússia precisa de investimentos chineses e produtos de alta tecnologia. O comércio entre os dois cresceu 36% somente no ano passado, com os países se juntando para desenvolverem projetos, como, por exemplo, um jato comercial para rivalizar com a Boeing e a Airbus.

Sentimentos em comum 

Importante destacar que o “antiamericanismo” tem fortalecido essa relação. Xi e Putin compartilham um objetivo comum de afastar a influência americana de suas fronteiras e desvendar alianças dos EUA. Desse modo, Putin se preocupa com a OTAN se aproximando cada vez mais de sua Rússia, à medida que Xi enfatiza que está sendo cercado por uma rede de parceiros dos EUA em toda a Ásia. 

Como resultado, como as negociações e investimentos um com o outro, menos vulneráveis ​​se tornam às sanções econômicas dos EUA. Além disso, com a China e a Rússia usando suas próprias moedas para negócios, o “todo-poderoso” dólar poderia se tornar descartável. 

Em suma, nessa busca para refazer o mapa geoestratégico global, um esforço conjunto para aumentar a pressão sobre os EUA na Europa e na Ásia pode sobrecarregar a atenção e os recursos de Washington, espalharia dúvidas sobre os compromissos globais com os EUA. 

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