Juro bancário chega ao maior nível em dois anos e meio

Indicador do BC não considera crédito habitacional, rural e do BNDES; inadimplência fica estável assim como as novas concessões de crédito bancário

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Os juros bancários médios do país cresceram em fevereiro deste ano. De acordo com o Banco Central (BC), os juros com recursos livres de pessoas físicas e empresas chegaram a 36,3% ao ano no segundo mês de 2022.

A saber, a taxa é a mais elevada desde agosto de 2019, quando os juros chegaram a 37,1%. Isso quer dizer que o nível é o maior em dois anos e meio.

No final de fevereiro de 2021, o juro bancário médio estava em 28,1% ao ano. Isso quer dizer que a taxa cresceu 8,2 pontos percentuais (p.p.) em 12 meses. No ano passado, a variação acumulada dos juros foi de 8,4%, maior patamar dos últimos seis anos.

O principal motivo do forte avanço foram as recorrentes elevações da taxa básica de juros do Brasil, a Selic, em 2021. Em resumo, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevou sete vezes a taxa Selic no ano passado.

A propósito, a Selic é o principal instrumento do BC para segurar a inflação do país, que alcançou o maior patamar anual desde 2015. A alta da Selic impulsiona os juros praticados no país, reduzindo o poder de compra do consumidor e desaquecendo a economia. Assim, a inflação tende a cair também, pois a demanda fica enfraquecida.

O Banco Central divulgou os dados nesta quinta-feira (29). Em suma, o indicador da entidade financeira não inclui os créditos habitacional, rural e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Veja detalhes do aumento dos juros bancários em fevereiro

Segundo o BC, a taxa média de juros cobrada nas operações com empresas alcançou 21,5% ao ano em fevereiro, ante 21,4% ao ano no mês anterior. A saber, este é o nível mais alto desde fevereiro de 2018 (22,2% ao ano).

Por sua vez, os juros cobrados nas operações com pessoa física passaram de 46,3% ao ano em janeiro para 48,1% ao ano em fevereiro. Nesse caso, o patamar é o mais elevado desde novembro de 2019 (49% ao ano).

O BC também divulgou dados do cheque especial, que cobra juros bem mais elevados que os anteriores. Em suma, o juro médio nessa operação para pessoas físicas ficou em 132,6% ao ano em fevereiro, ante 125,7% ao ano em janeiro. Vale destacar que o BC adotou um teto para estes juros, de 8% ao mês e 151,82% ao ano.

Já os juros bancários cobrados nas operações com cartão de crédito rotativo subiram de 346,3% ao ano em janeiro para 355,2% ao ano em fevereiro. Analistas ressaltam que essa é a linha de crédito mais cara do mercado e que deve ser evitada. No entanto, sua demanda em 2021 foi a maior em dez anos.

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