Investigação da PF sobre Ricardo Salles aponta ‘lavagem’ de madeira ilegal

Segundo a PF, essa “lavagem” era feita com o intuito de "legalizar" materiais extraídos de forma ilegal com a utilização de documentos expedidos muito tempo depois

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Documentos revelados pelo jornal “Folha de S.Paulo” nesta terça-feira (20) revelam que perícia feita pela Polícia Federal (PF) indica a existência de um suposto esquema de exportação ilegal de madeira. A constatação foi feita durante a investigação referente à operação Akuanduba, que tem o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles entre os alvos.

De acordo com a PF, os investigadores ainda apontam para a possibilidade de uso de documentos falsos pelo grupo. Conforme a apuração, existem elementos que indicam a ocorrência de uma “lavagem” de produtos florestais.

Segundo a corporação, essa “lavagem” era feita com o intuito de “legalizar” materiais extraídos de forma ilegal com a utilização de documentos expedidos oito meses após a exploração das áreas.

Conforme a matéria da “Folha”, a informação foi constatada a partir de uma perícia feita com base em informações levantadas pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos da América – órgão equivalente ao Ibama.

Neste momento das investigações, a PF acredita que houve um esquema de parceria entre agentes públicos brasileiros e particulares tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, com o objetivo de legalizar madeiras brasileiras, de origem ilegal, retidas em portos norte-americanos.

No relatório, os investigadores da PF apontam que não existem dúvidas de que as madeiras apreendidas pelas autoridades norte-americanas são oriundas de áreas de concessão florestal no interior da Florestal Nacional de Altamira ou de outras áreas, provavelmente próximas.

“Não há dúvidas de que os produtos florestais apreendidos pelas autoridades norte-americanas ou são oriundos, em sua maior parte, de áreas de concessão florestal no interior da Florestal Nacional de Altamira, ou foram extraídos de outras áreas, provavelmente próximas, mas legalizados por meio de documentos ideologicamente falsos dessas mesmas concessões”, informou o relatório.

Segundo o jornal, a análise da Polícia Federal consta em um pedido da entidade para que as diligências da operação sejam feitas, a partir de agora, na Justiça Federal do Pará. Quando deixou o cargo de ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles perdeu o foro privilegiado, o que levou a apuração a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação da PF

Em maio deste ano, Ricardo Salles, o presidente afastado do Ibama, Eduardo Bim, e outros nove ocupantes de cargos de confiança no Ibama, e também do Ministério do Meio Ambiente, foram alvos da ação, depois de uma autorização do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Hoje, o grupo é investigado por vários delitos como crimes contra a administração pública, corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação ao contrabando. Segundo a apuração, o esquema seria operado por esses funcionários públicos e empresários do ramo madeireiro.

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