O que esperar no preço do café para esse ano?

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Tão presente no dia a dia de milhões de brasileiros, nos últimos dois anos, enquanto a pandemia de Covid-19 assola as economias, os preços do café tanto no mercado de derivativos quanto no mercado doméstico deram grandes passos.  No Brasil, o café moído fechou o ano de 2021 com um aumento de 50,24% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo o líder da inflação no setor de alimentos.

Desse modo, os aumentos de preços comprovam que a previsão do ciclo de 10 anos do preço do café realizada por analistas familiarizados com esse mercado está correta. No entanto, esse aumento, muito rápido e muito curto, principalmente no segundo semestre de 2021, continuará em 2022 ou já chegou ao fim? O que será dos preços do café este ano?

Analisando o mercado de café

Escassez

Os preços de muitas commodities agrícolas dispararam, a maioria das quais atingiu recorde de altas não visto há várias décadas, com o café não houve exceção. No setor cafeeiro, a eficiência de investimento do câmbio Arábica aumentou 68% em 30 de dezembro.

Devemos nos ater também que o Brasil sofreu um ciclo de dois anos de más colheitas de café no ano passado devido à fisiologia do café arábica, e os preços do café subiram constantemente em dois dos dois maiores mercados de derivativos do mundo, quando partes do Brasil sofreram uma onda de frio.

Além disso, para piorar a situação, a produção de arábica colombiana foi menor que o esperado e levou a preços ainda mais altos. No entanto, o principal impulsionador dos preços mais altos do café tem sido os programas de estímulo, como os realizados nos EUA, na UE e no Japão.

Pacote de estímulos

Esses programas fizeram com que os Bancos Centrais realizassem um grande esforço para evitar recessões nesses países. Por conta disso, uma enxurrada de dinheiro no valor de dezenas de milhões de dólares inundou o mercado, juntamente com um corte nas taxas primárias.

Importante destacar que, o dinheiro “barato” ativa fortemente o poder de compra de especuladores e empresários. Nesses mercados, o café é uma das poucas commodities comerciais mais líquidas.

Transporte

A movimentação de mercadorias, especialmente por via marítima, foi interrompida ou atrasada não apenas na exportação para países importadores, mas também em um país, pois as autoridades impõem medidas de distanciamento social para impedir a propagação da pandemia.

Desse modo, os estoques de café nos países consumidores encolheram, especialmente em termos de estoques de café padrão que podem ser leiloados em bolsas de commodities,  para o menor nível em cerca de um ano.

O que esperar para o café neste novo ano?

Apesar de todos os desafios, o Brasil deve manter seu posto de maior produtor mundial de café, retornando a um ciclo de “colheita anual”, com a expectativa de produção de um nível recorde de mais de 60 milhões de sacas por ano.

De fato, em 2021, o Brasil colheu de 56 a 57 milhões de sacas, apesar de uma colheita ruim. No entanto, os comerciantes brasileiros de café conseguem vender quase todos os produtos de café graças ao aumento dos preços futuros e à desvalorização da moeda local.

Como resultado, até dezembro de 2021, o Brasil vendeu quase 80% do café colhido em 2021 em preparação para a nova safra em 2022, com Robusta em abril de 2022 e Arábica em julho de 2022.

Em suma, durante o ciclo atual, o índice do dólar norte-americano (DXY) se valorizou significativamente em relação à moeda brasileira local, forçando as bolsas de commodities a reduzir os preços do café.

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