A partir de 1º de novembro, milhares de brasileiros terão a chance de renegociar débitos bancários em condições especiais com o Mutirão de Negociação e Orientação Financeira. A ação, capitaneada pelas principais instituições financeiras ligadas à Febraban, promete benefícios como parcelamento facilitado, descontos nos valores totais e taxas de juros menores para refinanciamento, tudo conforme a política de cada banco participante.
O mutirão de dívidas conta com o apoio do Banco Central, da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e dos PROCONs de todo o país, ampliando as possibilidades de negociação e de divulgação para diferentes perfis de consumidores. Na edição realizada em março de 2025, mais de 1,4 milhão de contratos foram renegociados. A iniciativa tem como objetivo oferecer uma alternativa ampla e acessível para a regularização de débitos bancários, com exceção daqueles garantidos por bens, como veículos ou imóveis, ou que já estejam prescritos.
Como funciona o mutirão de negociação de dívidas
Essa ação é anual e integra o calendário permanente dos bancos no Brasil desde 2019. O evento reúne mais de 160 instituições participantes, uma gama que abrange os principais bancos do país. O consumidor pode buscar a renegociação diretamente nos canais digitais do seu banco ou via portal do Consumidor gov — desde que possua conta nível prata ou ouro no sistema Gov.br.
Durante o mutirão, o cliente pode negociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, empréstimo consignado, crédito pessoal e outras que estejam em atraso e não sejam garantidas por bens. O procedimento exclui financiamentos de veículos, motos e imóveis.
Passo a passo para participar do mutirão
- Acesse o canal digital do seu banco ou faça cadastro no portal Consumidor.gov.br;
- Realize o login (necessário conta prata ou ouro para negociações via Consumidor.gov.br);
- Selecione a instituição financeira com a qual deseja negociar a dívida;
- Siga as orientações do site para inserir as informações solicitadas;
- Aguarde a análise — o banco tem até dez dias para retornar com uma proposta de negociação.
Quem pode participar e quais dívidas entram no mutirão
Podem participar consumidores que tenham dívidas em atraso contratadas com bancos e demais instituições financeiras. Todas as modalidades de crédito pessoal, cartão de crédito e cheque especial são incluídas, desde que não haja bens em garantia. Financiamentos que envolvem imóveis, automóveis ou motocicletas não fazem parte do escopo da ação.
Caso o consumidor identifique dificuldades para quitar pagamentos futuros, é recomendável buscar o banco e avaliar a possibilidade de um acordo antecipado, antes que ocorram atrasos. Essa medida pode facilitar a obtenção de condições mais adequadas ao perfil de pagamento.
Para consultar débitos e contratos ativos, o consumidor pode utilizar plataformas oficiais, como o Registrato, mantido pelo Banco Central. O acesso é feito com o CPF, permitindo verificar informações sobre empréstimos, financiamentos e demais dívidas registradas em nome do titular.
Dívidas fora do mutirão: o que fazer
Dívidas não bancárias, como contas de varejo, universidades, telecomunicações e concessionárias, podem ser negociadas durante campanhas paralelas, como o Feirão Serasa Limpa Nome, também disponível no mesmo período do mutirão. Para consultar postos de atendimento, basta procurar agências dos Correios ou acessar diretamente a plataforma da Serasa Limpa Nome.
Dicas práticas para renegociar e não se enrolar novamente
Antes de aceitar qualquer proposta, faça uma lista de todas as contas em atraso: relacione valores, parcelas e totais devidos. Organize suas receitas e despesas mensais para saber quanto realmente cabe no orçamento. Utilize planilhas gratuitas disponíveis no portal Meu Bolso em Dia — uma iniciativa da Febraban que facilita o controle financeiro do consumidor brasileiro.
Caso o consumidor não consiga negociar diretamente com as instituições financeiras, é possível buscar apoio nos Procons estaduais ou municipais. Esses órgãos oferecem orientação e intermediação para que pessoas superendividadas possam elaborar um plano de pagamento adequado em conjunto com os credores. Em algumas capitais, como São Paulo, há núcleos de atendimento voltados especificamente para esse público.
Durante o processo de negociação, é permitido tratar mais de uma dívida simultaneamente, desde que seja aberto um processo individual para cada empresa credora. É importante que o consumidor analise as propostas com atenção e evite aceitar condições que ultrapassem sua capacidade de pagamento mensal.
Para mais dicas sobre educação financeira, confira o portal Brasil 123.
Dúvidas frequentes
- O mutirão tem custo? Não há cobrança pela adesão ao mutirão; todo o processo é gratuito.
- Receberei propostas diferentes de cada banco? Sim. As condições dependem da política de renegociação de cada instituição.
- Quanto tempo o banco leva para responder? O prazo é de até dez dias corridos após o registro da solicitação no Consumidor.gov.br.
- E se eu não aceitar a proposta inicial? É possível tentar nova negociação, readequando valores ou prazos conforme seu orçamento.
- Pessoas negativadas podem negociar? Sim, desde que a dívida esteja em atraso, exceto financiamentos com garantia real.
- Superendividados têm fluxo diferente? Sim, precisam do apoio do Procon para montar um plano de pagamento adequado.



