Dólar tomba na semana em meio a incertezas com a inflação dos EUA

Investidores temem elevação da taxa inflacionária no país, mas moeda recua graças à declarações positivas de Jerome Powell, presidente do Fed, na semana

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O dólar encerrou o pregão desta sexta-feira (16) na estabilidade, cotado a R$ 5,1154. No entanto, a moeda americana tombou 2,27% na semana, elevando o recuo na parcial de 2021 para -1,38%. A saber, no início da semana, a divisa acumulava valorização ante o real no ano.

Em resumo, o que mais puxou o dólar para baixo nesta semana foram declarações de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos. De acordo com ele, o banco segue focado na recuperação do mercado de trabalho do país e continuará oferecendo “apoio poderoso” à economia norte-americana “até que a recuperação esteja completa”.

Tais declarações elevaram o otimismo dos investidores, que temem o fim da injeção de estímulos praticada pelo Fed na economia americana desde março do ano passado devido à pandemia da Covid-19. Ao mesmo tempo, o banco também reduziu os juros do país para taxas baixíssimas desde então.

Contudo, a inflação segue nas alturas, e o temor em torno da antecipação do fim destes benefícios continua assombrando os investidores. Aliás, a confiança do consumidor americano recuou de 85,5 em junho para 80,8 na primeira metade de julho. O resultado é o inverso do esperado pelos economistas, que projetavam uma elevação para 86,5.

Também vale ressaltar que as vendas do varejo americano tiveram um crescimento inesperado em julho (0,6%), surpreendendo os economistas, que projetavam queda de 0,4% no mês. Em suma, a demanda por bens continuou expressiva no mês e impulsionou as vendas do varejo no mês.

Fatores internos também ajudaram a enfraquecer o dólar na semana

A saber, o que mais pesou internamente para o dólar na semana foi o aumento do otimismo entre os investidores em torno da reforma tributária do país. Ao ser anunciada, a nova parte da reforma não agradou o mercado. Isso ocorreu porque alguns pontos implicavam num aumento de impostos, especialmente para quem têm rendas mais altas.

Contudo, após uma reunião entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e alguns empresários na semana passada, a apreensão deu lugar ao otimismo. A propósito, eles debateram a possibilidade de correção de eventuais distorções da proposta. E isso agradou os investidores, que não querem pagar mais impostos.

Também vale destacar a atuação do Banco Central (BC), que realizou leilão de swap tradicional em quatro dos cinco pregões da semana. O tombo na semana talvez não aconteça novamente nas próximas sessões, uma vez que os temores com a inflação seguem elevados. Agora é esperar para ver.

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