Diplomatas brasileiros defendem urnas eletrônicas

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Em um gesto incomum, porém vitorioso, diplomatas brasileiros discordam do discurso do presidente Jair Messias Bolsonaro e rejeitam a tese de que a eleição no país possa ser alvo de uma fraude a partir do atual modelo usado, declarações que vão totalmente em desencontro com que o presidente vem explicitando.

A declaração acontece depois que Jair Bolsonaro convocou embaixadores estrangeiros para uma reunião na qual atacou a Justiça, questionou as urnas e, segundo especialistas, cometeu crimes de responsabilidade.

A coluna apurou que o Itamaraty tentou evitar que a reunião fosse realizada, enquanto diplomatas estrangeiros criticaram o fato de terem sido usados pelo presidente para fortalecer sua base mais radical.

Nota geral dos diplomatas brasileiros

Nesta quarta-feira (20), em uma nota geral e oficial, a Associação de Diplomatas Brasileiros (ADB) deixou claro que não compartilha e nem apresenta o mesmo posicionamento que o presidente vem tendo diante do debate sobre a veracidade do sistema eleitoral nacional. “A ADB reitera sua plena confiança na justiça eleitoral brasileira e no sistema eletrônico de votação do país”, afirmou a entidade, que reúne embaixadores e diplomatas de diferentes escalões.

Além disso, o grupo deixa claro que o nosso sistema eleitoral, ou democracia, passou a ser modelo para diversos países, inclusive na Europa. “Desde sua implantação, em 1996, o sistema brasileiro de votação eletrônica é objeto de reiteradas demandas de cooperação internacional de transferência de conhecimento e tecnologia”, disseram os diplomatas brasileiros, num ato claro de contestação ao presidente.

A ADB acrescenta e reitera: “Ao longo desse tempo, a diplomacia brasileira testemunhou sempre elevados padrões de confiabilidade que se tornaram referência internacional indissociável da imagem do Brasil como uma das maiores e mais sólidas democracias do mundo”.

Além disso, os diplomatas disseram que sempre estiveram à frente do sistema eleitoral brasileiro, mas precisamente depois da redemocratização. Eles se apresentam a fim de auxiliar toda a gestão política, até mesmo em regiões remotas do Brasil.

Eleição se aproximando

Com as eleições para presidente da república cada vez mais perto, cresce a disputa e atenção dos diplomatas do exterior para o nosso país.

Nesse sentido, de acordo com diplomatas europeus ligados a governos de extrema direita, uma derrota de Bolsonaro “reposicionaria” a agenda do grupo. Não por acaso, nas últimas semanas, o governo de Bolsonaro vem recebendo diversas personalidades dos grupos ultraconservadores internacionais. Um deles foi Tucker Carlson, o apresentador vedete da Fox News. O canal americano é o principal veículo de apoio ao trumpismo e ao movimento de base mais radical dos republicanos.

Enquanto isso, a agenda da diplomacia paralela foi intensificada, com a secretária da Família, Angela Gandra, liderando os contatos com grupos ultra religiosos e partidos de extrema-direita da Europa. Nas últimas semanas, ela ainda tem visitado embaixadas estrangeiras em Brasília.

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