A Veste S.A., responsável por marcas como Le Lis e Dudalina, apresentou lucro líquido de R$ 11,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo do ano anterior. De acordo com dados oficiais da própria companhia, a receita líquida ajustada subiu 14%, ultrapassando R$ 306 milhões, impulsionada principalmente pelo avanço no e-commerce e fortalecimento das marcas. O balanço ainda revelou aumento de 46% no Ebitda, atingindo R$ 68 milhões, reflexo de uma gestão mais disciplinada e foco em linhas premium. O setor de moda, historicamente sensível ao cenário econômico, manteve desempenho positivo mesmo diante dos juros altos, tendência reforçada pelo perfil de consumo das marcas do portfólio.
Segundo o relatório divulgado pela Veste S.A., a estratégia adotada priorizou a venda de peças a preço cheio e produtos de maior valor agregado, concentrando investimentos em linhas exclusivas de alfaiataria. Essa movimentação contribuiu para a elevação da margem bruta, que segue em torno de 65%, proporcionando maior resiliência diante de oscilações econômicas. O CEO Alexandre Afrange explicou que o público das marcas, com maior poder aquisitivo, tende a ser menos impactado por instabilidades macroeconômicas, fator que favorece a previsibilidade das receitas.
Diferentemente do que se observa em segmentos populares do varejo, a Veste S.A. apresentou crescimento desigual entre suas marcas: enquanto Bobô destacou-se com aumento de 30,7%, puxado por novidades de exclusividade, a tradicional Le Lis cresceu 13,9% e Dudalina avançou 3% no consolidado, mas com alta de 10% nas mesmas lojas, influenciada pelo processo de franqueamento. A empresa atribui essa diferença ao redesenho do modelo de negócios de algumas bandeiras e ao mapeamento criterioso do potencial de expansão de lojas físicas.
A trajetória recente de resultados também se apoia em um endividamento controlado, situado em 0,6x o Ebitda, nível considerado saudável pelo mercado e alinhado ao perfil de grupo com foco em crescimento sustentável. Segundo a Veste S.A., a abertura de quatro novas lojas físicas no Morumbi Shopping, em São Paulo, integrou um plano para ampliar presença regional e fortalecer a complementaridade com as plataformas digitais, que já respondem por um quarto das vendas online.
Integração de canais físicos e digitais impulsiona vendas
A companhia tem priorizado o conceito de omnichannel, promovendo integração entre canais físicos e digitais para ampliar a experiência do consumidor. Aproximadamente 26% das vendas digitais já são realizadas via aplicativos próprios, favorecendo tanto a conveniência das compras online quanto o atendimento consultivo das lojas físicas. Esse modelo incentiva o cliente a pesquisar no site antes de visitar a loja, aumentando as taxas de conversão presencial e otimizando o estoque por região.
No contexto do setor de varejo, esse tipo de estratégia é respaldado pelas políticas de Transformação Digital estabelecidas no Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT) do Ministério da Economia, que incentiva a digitalização de operações e o relacionamento multicanal, visando fortalecer a competitividade de empresas nacionais.
Além disso, o desempenho da Veste S.A. difere do observado em grandes redes de moda de apelo popular, que enfrentaram desafios na recomposição de margens em 2026 devido ao encarecimento do crédito e ao freio no consumo de bens não essenciais. O segmento premium, atendido pela Veste S.A., demonstrou resiliência, aproveitando diferencial de público-alvo e estratégia de precificação menos dependente de promoções sazonais.




