China e o risco para a cadeia de suprimento global

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A insistência do governo chinês em eliminar qualquer vestígio do coronavírus está enfrentando seu maior teste até agora, quando as autoridades chinesas lidam com a disseminação acelerada da Ômicron. Para alguns especialistas, essa decisão pode custar caro para a segunda maior economia do mundo este ano. 

Nesse sentido, a mais nova variante da Covid-19 vem se espalhando na China nos últimos dias, principalmente em cidades portuárias, como Dalian e Tianjin. Isso tem provocado restrições que podem prejudicar as operações comerciais nesses locais. 

Além disso, o resto do mundo também vem lidando com a exponencial de casos da Ômicron, mas a China tem utilizado uma abordagem completamente diferente, visto que pretende impedir qualquer surto generalizado através do bloqueio de cidades e restrição de viagens.

Esta abordagem chinesa tem sido eficaz até agora, visto que o país registrou muito menos casos da Covid-19 do que outras nações durante a pandemia, sendo a única economia grande a crescer em 2020. Contudo, a Ômicron pode ameaçar expor algumas graves falhas nesse plano.

O motivo é a variante ser muito mais transmissível que as outras, o que dificulta sua contenção. Além disso, à medida que o resto do mundo aprende a conviver com o vírus, os economistas apontam que esta estratégia de tolerância zero provavelmente fará mais mal do que bem em 2022.

China e ameaças a cadeia de suprimento

Junto com o precário setor de serviços do país, que já está lutando devido a surtos esporádicos de Covid e medidas antivírus, a Ômicron pode dar um golpe nas fábricas e nas cadeias de suprimento, agravando ainda mais a economia. Um surto da variante Delta havia feito o centro industrial de Xi’an a fechar.

Sendo isso, isso afetou as linhas de produções globais de chips, como da Samsung (SSNLF) e Micron (MU). Com o registro de casos da Ômicron nas cidades portuárias, o congestionamento de navios portuários tem piorado à medida que cidades chinesas implementam restrições rigorosas.

Além de restrições rigorosas, a China vem implementando medidas para reforçar os testes antes do feriado do Ano Novo Chinês, a partir de 31 de janeiro. Contudo, parece não ter havido um impacto duradouro no comércio. Dados alfandegários divulgados na sexta-feira mostraram que as exportações aumentaram 21% em dezembro em relação ao ano anterior.

Dessa forma, a balança comercial chinesa apontou um superávit comercial de US$676 bilhões em 2021, representando um recorde histórico. Isso indica que a estratégia da China pode realmente estar ajudando, os pedidos de exportação podem ter sido transferidos de países em desenvolvimento para a China devido ao dano da Ômicron a cadeia de suprimentos global.

Manter o planejamento pode ter um preço

A China provavelmente não deixará de lado sua abordagem de zero Covid por um tempo. O principal motivo: a vacina Sinovac Covid-19 não é tão eficaz quanto outras contra a variante, conforme os relatórios mais recentes.

Juntamente com as preocupações com a saúde da população, um punhado de eventos significativos futuros provavelmente convenceram Pequim a manter o curso. Ainda assim, o curso econômico de conter uma variante agressiva pode ser grande, visto que as vendas no varejo e outros serviços podem sofrer grande impacto com mais bloqueios.

O Presidente da Eurasia Group, Ian Bremmer, rotulou que, o fracasso da política zero Covid da China pode ser o principal risco geopolítico global, podendo haver um colapso que poderia levar a surtos maiores, bloqueios mais severos e perturbações econômicas.

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