Presidente do FNDE diz que nunca recebeu influência de pastor ao ser questionado sobre liberação de verbas

Marcelo Lopes foi chamado para dar explicações devido às denúncias que apontaram que pastores intermediavam a liberação de recursos no MEC por meio do FNDE

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Marcelo Lopes da Ponte, presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), afirmou nesta quarta-feira (25) que jamais foi influenciado por pastores ou quaisquer outras pessoas na gestão do órgão. A declaração do executivo aconteceu durante sua participação em uma audiência pública na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

Marcelo Lopes foi chamado para dar explicações devido às denúncias que apontaram que pastores intermediavam a liberação de recursos no Ministério da Educação por meio do FNDE. Em abril deste ano, assim como mostrou o Brasil123, ele revelou que encontrou os pastores em quatro oportunidades.

Nesta quarta, ele reafirmou o fato, mas ressaltou que não foi influenciado pelos líderes religiosos. “Quero deixar claro que nunca recebi influência de pastor ou de qualquer pessoa. Nosso trabalho é eminentemente técnico”, afirmou o presidente do FNDE.

Em outro momento, Marcelo Lopes ressaltou que o órgão nunca bancou as viagens dos pastores e que esses líderes religiosos não viajavam com eles na aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). “Nesses atendimentos em que houve a presença de pastores, quero esclarecer ainda que eles nunca viajaram conosco na aeronave da FAB ou nas comitivas de aviões comerciais e que nunca arcamos com qualquer despesa relacionadas a eles”, disse o executivo.

Ainda durante a audiência, o presidente do FNDE relatou que denunciou as suspeitas de irregularidades na atuação dos pastores ao até então ministro Milton Ribeiro e também ao secretário-executivo da pasta, Victor Godoy, que hoje é o atual ministro. Isso, em agosto de 2021.

“Não recebi, não me foi oferecido valores, mas onde há fumaça há fogo e eu achei por bem [denunciar]”, disse ele. “Falei: ‘Ministro, queria que o senhor tomasse uma providência’, e ele, ainda em agosto do ano passado, mandou esse relato à CGU”, explicou o executivo.

“Eu fui ouvido, prestei os esclarecimentos necessários e, nesse próprio depoimento, eu coloquei meu sigilo fiscal, bancário e telefônico à disposição das autoridades. Não tinha porque ter medo, não fiz nada errado”, completou Marcelo Lopes.

Áudios sobre os pastores

A suposta influência dos pastores se tornou pública em março deste ano, quando um áudio atribuído ao até então ministro Milton Ribeiro foi revelado. Na gravação, ele afirmou que a pasta tem como uma de suas prioridades atender todos que são amigos do pastor Gilmar Santos. Outro líder religioso, Arilton Moura, também foi citado.

Após a repercussão, Milton Ribeiro afirmou que, “diferentemente do que foi veiculado, a alocação de recursos federais ocorre seguindo a legislação orçamentária, bem como os critérios técnicos do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE)”. Ele também negou qualquer interferência do presidente Jair Bolsonaro (PL) na pasta.

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