Drones operados por controle remoto já somam milhares nas forças armadas ucranianas, tornando-se uma das principais armas do conflito regional. Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, veículos aéreos não tripulados passaram a integrar oficialmente o organograma militar, com cada brigada mantendo ao menos uma companhia específica para drones de ataque e vários modelos de reconhecimento. Essa organização contrasta com o uso esporádico de pequenos drones nos primeiros meses da guerra. Desde 2022, ataques envolvendo drones ultrapassaram 13 violações do espaço aéreo romeno, com o episódio de dezembro marcando a primeira incursão diurna do tipo.
Drones FPV, projetados originalmente para corridas civis, foram adaptados ao combate pelo baixo custo — aproximadamente US$ 500 com carga explosiva acoplada — e pela precisão elevada em missões contra blindados e infraestrutura. Com alcance que pode superar 20 quilômetros, esses equipamentos são pilotados à distância com retorno visual em tempo real, otimizando ataques com menor exposição de pessoal. Comparados aos projéteis de artilharia tradicionais, são também mais baratos e flexíveis, embora os projéteis ainda causem impactos explosivos superiores.
A União Europeia debate a criação de um “muro de drones” após séries inéditas de incursões em países como Polônia, Alemanha, Dinamarca e Lituânia, todas integrantes da Otan. Ao menos seis aeroportos dinamarqueses e hubs estratégicos foram fechados temporariamente em 2025 após avistamentos, interferindo em rotas aéreas civis e militares. Conforme a Otan, desde setembro de 2025 há aumento significativo de incursões que empregam modelos de baixo custo, como os Gerbera — baseados nos drones Shahed iranianos — contra sistemas ocidentais valorizados em bilhões de dólares.

Entre as ameaças à operação dos drones estão os sistemas de guerra eletrônica (GE), que interferem nas frequências de rádio utilizadas para pilotagem e transmissão de vídeo. Pilotos ucranianos relatam uso crescente desses bloqueadores, obrigando mudanças frequentes de frequência e utilização de repetidores para manter o controle sobre os equipamentos e dificultar a detecção de suas posições. Essa “corrida eletrônica” redefine a dinâmica do campo de batalha, estimulando a adoção de tecnologias autônomas baseadas em inteligência artificial.
Emprego estratégico dos drones na guerra
O uso sistemático de drones na guerra da Ucrânia levou soldados a afastarem tanques e veículos blindados das zonas de contato direto, deslocando linhas de frente e alterando antigos conceitos táticos. Relatos das Forças Armadas ucranianas, confirmados em documentos oficiais, evidenciam que drones de ataque e lançadores de munições tornaram-se as maiores ameaças citadas por soldados de infantaria, superando armamentos tradicionais em frequência de ocorrência.
Diferente dos conflitos do século XX, o cenário de 2026 mostra que um drone pode ser reutilizado, recondicionado localmente e armado em poucas horas, aproveitando componentes de uso civil disponíveis em mercados globais. O grande número de VANTs em circulação tornou os deslocamentos entre trincheiras arriscados, com relatos de soldados enfrentando dificuldades para reforçar abrigos subterrâneos devido à cobertura quase constante de drones hostis.

Outro ponto de atenção técnico é a superioridade dos drones FPV em precisão tática: mesmo veículos em movimento, normalmente fora do alcance da maioria das peças de artilharia, podem ser atingidos por um operador experiente. Ainda assim, sua ogiva de menor porte limita o uso contra alvos fortemente blindados ou estruturas reforçadas. Para superar essa limitação, aumentou-se a integração operacional com equipes de artilharia clássica, estabelecendo novos padrões de cooperação entre sistemas tripulados e não tripulados.

