A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto Recicla e Cash, que prevê desconto nas contas de luz e água para consumidores que entregarem resíduos recicláveis em pontos credenciados. Os valores do benefício ainda serão definidos após regulamentação específica.
A proposta se inspira no modelo de cashback, oferecendo como retorno um abatimento direto nas tarifas de serviços essenciais. No entanto, a medida segue em tramitação e não está em vigor: outras comissões da Câmara ainda avaliam o texto antes do envio ao Senado.
Confira a seguir como deve funcionar o desconto nas contas, quais materiais geram pontos para o abatimento e o que precisa acontecer para o programa virar lei.

Como deve funcionar o desconto nas contas de luz e água
Segundo o texto aprovado na comissão, o programa funcionará em etapas:
- Cadastro do consumidor: O interessado deverá se inscrever em uma plataforma digital do programa, informando seus dados e associando as contas das quais deseja obter o abatimento.
- Entrega dos recicláveis: Os resíduos deverão ser levados até pontos de coleta credenciados, como ecopontos, cooperativas ou estabelecimentos parceiros.
- Pesagem e pontuação: O material entregue será pesado e registrado no local de coleta, o que gera pontos proporcionais ao volume e ao tipo de resíduo descartado corretamente.
- Conversão em crédito: Cada ponto acumulado será convertido em crédito financeiro para desconto no valor das contas cadastradas. O abatimento será proporcional à quantidade e ao tipo dos resíduos entregues.
O processo de registro dos materiais nas coletas será rigoroso para garantir que o crédito reflita fielmente o volume reciclado. Quanto mais material for destinado de forma correta, maior será o desconto obtido.
Materiais aceitos para geração de crédito
O projeto estabelece que os seguintes resíduos recicláveis garantem pontos no sistema:
- Papel e papelão
- Plásticos
- Vidro
- Metais
- Óleos e gorduras residuais, como óleo de cozinha usado
Resíduos eletrônicos e baterias ficaram de fora do programa devido à obrigatoriedade já existente de logística reversa para esses materiais. Óleos e gorduras residuais foram incluídos pela importância ambiental, já que o descarte inadequado polui águas e solos, enquanto o reaproveitamento pode gerar biocombustível.
Outros tipos de resíduos poderão ser inseridos posteriormente por meio de portarias.
Gestão do programa e pendências para implantação
A gestão do Recicla e Cash ficará a cargo do Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Haverá prioridade para cooperativas de catadores na administração dos materiais coletados, com apoio das prefeituras no cadastro dos profissionais.
Órgãos ambientais e reguladores responderão pela fiscalização do sistema. Para não onerar os serviços, o texto aprovado determina que custos do programa só poderão ser repassados às distribuidoras de energia e água mediante compensação financeira.
Importante: ainda não há valores fixados para o desconto nem os critérios de adesão, que serão definidos posteriormente em regulamentação específica.
O que falta para o Recicla e Cash virar lei
A aprovação na Comissão de Minas e Energia representa apenas uma das etapas do processo. O texto será avaliado também pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A proposta só se tornará lei após aprovação por toda a Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, seguida de sanção presidencial.
Por que o programa foi proposto
O relator da proposta, deputado Júnior Ferrari (PSD-PA), destaca que o incentivo financeiro pode mudar o comportamento da população em relação à separação do lixo reciclável. Segundo ele, dados apontam que o Brasil produz mais de 82 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos a cada ano, com apenas 4% sendo reciclados.
A expectativa é de que os descontos ajudem a diminuir o descarte irregular, aliviar o orçamento familiar, valorizar o trabalho de catadores e cooperativas, além de mitigar o impacto ambiental causado pelo envio de resíduos a lixões e aterros e pela poluição dos recursos hídricos e do solo.
Como se informar e consultar regras atualizadas
Como o programa ainda não foi regulamentado nem implantado, informações oficiais sobre critérios de adesão, valores do desconto e datas de início devem ser consultadas exclusivamente nos canais do Ministério do Meio Ambiente, Aneel e ANA, assim que houver novidades. Prefeituras e cooperativas parceiras também poderão orientar a população quando o sistema estiver disponível.
Inscrições e consultas serão feitas em plataformas digitais oficiais, a serem divulgadas quando o programa entrar em vigor. Acompanhe os canais institucionais para mais detalhes e para evitar informações falsas ou cobranças indevidas. O acesso às inscrições será gratuito e o governo não solicita dados bancários ou pagamentos para participação.