A Petrobras e a DOF Subsea firmaram parceria para construir quatro novas embarcações de apoio submarino, com aporte total de R$ 11 bilhões nos contratos. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis confirmou que a operação visa reforçar a frota voltada a serviços em águas profundas e ultraprofundas. De acordo com o acordo, a construção será realizada no estaleiro Navship, em Navegantes (SC), com conteúdo local estimado em até 80% nas obras e até 90% durante o período operacional.
A principal característica desse investimento está no estímulo ao mercado nacional: estima-se a criação de aproximadamente 7 mil empregos, entre 1,5 mil diretos e 5,6 mil indiretos, ao longo das fases produtivas e de operação dos navios, todos do tipo RSV (ROV Support Vessel). Segundo a Petrobras, a simplificação técnica dos editais favoreceu mais participação de fornecedores brasileiros, impactando diretamente a competitividade do setor naval. Esses navios serão fundamentais para inspeção, manutenção e reparo de estruturas submarinas, atividades estratégicas para o segmento offshore nacional.
O cronograma prevê entregas progressivas das embarcações, atendendo à política da Petrobras de privilegiar o conteúdo local nos contratos de bens e serviços, uma exigência do regime de partilha estabelecido pela Lei 12.351/2010. As embarcações contarão com propulsão híbrida, combinando baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto, contribuindo para a redução do consumo energético e das emissões de carbono.
No cenário internacional, projetos similares contam com percentuais inferiores de conteúdo nacional. Nos EUA, por exemplo, embarcações offshore no Golfo do México chegam a apenas 50% de conteúdo local, de acordo com a Coast Guard. Essa diferença ressalta a estratégia brasileira ao fomentar emprego e tecnologia por meio das demandas da cadeia produtiva do petróleo.
Investimento em inovação reduz emissões
Os novos navios da Petrobras, equipados com sistemas híbridos, atendem aos requisitos ambientais rigorosos em vigor para a indústria marítima brasileira desde 2025, regulados pela Resolução Conama 530/2024. O uso de baterias e motores elétricos, alinhados a combustíveis de transição energética, resulta em menor emissão de gases de efeito estufa — redução considerada vital para o cumprimento das metas climáticas estabelecidas pelo governo federal para 2030.
A iniciativa reforça o compromisso das empresas com práticas industriais de baixo carbono e fortalece a indústria naval nacional, que vinha sofrendo retração desde a crise econômica de 2015. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Naval (ABAN), a ampliação dos contratos favorece a retomada de empregos em regiões portuárias e amplia a qualificação da mão de obra local.
A demanda contínua por embarcações RSV é prevista devido ao crescimento das operações offshore no pré-sal brasileiro, segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Com a ampliação do uso de tecnologias sustentáveis, o setor se aproxima de padrões internacionais e aumenta sua integração na cadeia de fornecimento global.


