Ministério da Saúde anuncia solicitação para incluir a injeção preventiva contra HIV na rede pública, ainda em 2026, durante conferência no Rio de Janeiro.
O pedido contempla o medicamento cabotegravir, já autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e disponível apenas na rede privada desde 2023. A expectativa é que a análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ocorra em agosto.
Confira a seguir as diferenças entre as formas de prevenção ofertadas, dados de adesão dos estudos recentes e por que outros medicamentos não entraram na proposta do governo federal.

Cabotegravir: como muda a prevenção ofertada pelo SUS
A injeção de cabotegravir representa uma alternativa à profilaxia pré-exposição (PrEP) oral contra o HIV, atualmente fornecida em comprimidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto a PrEP oral exige uso diário, o novo formato injetável seria administrado a cada dois meses em unidades de saúde, reduzindo a dependência da lembrança diária do medicamento.
O cabotegravir atua impedindo a replicação do vírus de modo prolongado, permitindo que o usuário compareça ao serviço de saúde apenas seis vezes ao ano para receber as aplicações. O Ministério da Saúde anunciou a intenção de solicitar a incorporação do medicamento à Conitec, órgão responsável por avaliar evidências, impacto e custo-benefício antes de recomendar a introdução de novas tecnologias à rede pública.
A decisão final sobre a inclusão ficará a cargo do Ministério da Saúde, após a análise da Conitec. Até o momento, a forma oral da PrEP segue disponível no SUS.
Comparativo entre as formas de PrEP disponíveis
| Característica | PrEP oral | PrEP injetável |
| Forma de uso | Comprimido | Injeção aplicada na unidade de saúde |
| Frequência | Diária | A cada dois meses |
| Situação no SUS | Já disponível | Pendente de análise da Conitec |
| Alcance | Mais de 350 mil pessoas atendidas | Disponível só na rede privada |
Nenhuma das duas dispensa outras medidas de prevenção, incluindo avaliação prévia em serviço de saúde e realização de testes rápidos para o HIV, também oferecidos pelo SUS.
Adesão e constância: principais resultados dos estudos
Estudo brasileiro realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), chamado ImPrEP CAB Brasil, acompanhou cerca de 1,4 mil participantes em seis cidades públicas, permitindo escolha entre a PrEP oral ou injetável. Conforme a Agência Brasil, 83% optaram pela injeção e 94% retornaram ao serviço de saúde dentro do prazo para receber as doses seguintes. Nenhum participante do grupo injetável foi infectado durante o acompanhamento.
Outro dado, divulgado pelas farmacêuticas, apontou taxa anual de infecção de 0,1% entre usuários da versão injetável. Esse cenário reforça o compromisso do Ministério da Saúde com estratégias que ampliem o acesso regular à prevenção.
Medicamentos que ficaram fora da proposta: motivos e críticas
O lenacapavir, opção de proteção semestral, não entrou na proposta encaminhada à Conitec. O motivo, conforme o ministro Alexandre Padilha, foi o preço elevado oferecido ao Brasil, mesmo após negociações sugerir pagar até dez vezes mais que países em condições similares, como Indonésia e Tailândia.
Além do preço, o Brasil ficou de fora do acordo de licenciamento para produção de genéricos do lenacapavir, assinado entre a fabricante e seis empresas com autorização apenas para 120 países – por isso, segue sujeito ao valor integral do laboratório. O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids criticou a exclusão do Brasil e reforçou a importância da expansão do acesso a novas tecnologias.
A fabricante do lenacapavir informou ter firmado um memorando com a Fundação Oswaldo Cruz para avaliar possíveis alternativas, como transferência de tecnologia, para o país.
Como acompanhar decisões e mudanças oficiais
Para saber quando a injeção preventiva poderá ser oferecida pelo SUS e acompanhar todas as atualizações, recomenda-se consultar diretamente os canais oficiais. Decisões do Ministério da Saúde, liberações de benefícios e ampliação de serviços gratuitos são publicadas no portal Alerta Gov. Outras informações sobre tratamentos e prevenção de HIV/Aids constam no site do Ministério da Saúde.
Em caso de dúvidas sobre elegibilidade, formas de prevenção, locais para testagem, tratamentos ou atualização de cadastro, a orientação é buscar uma unidade do SUS ou acessar o portal do Ministério da Saúde.
Onde obter informações oficiais e seguras
Para esclarecimentos sobre a PrEP (oral ou injetável), incorporação de tecnologias e aquisição de medicamentos pelo SUS, consulte:
- Portal do Ministério da Saúde — informações atualizadas sobre programas de prevenção e tratamento;
- Unidades do SUS — testagem gratuita, avaliação e acompanhamento médico;
- Portal Alerta Gov — atualizações diárias sobre decisões do governo federal e serviços oferecidos.
Consultas e recebimento de benefícios e medicamentos pelo SUS são gratuitos. O Ministério da Saúde não solicita pagamentos nem dados bancários para acesso a medicamentos ou programas de prevenção.
