O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, em janeiro de 2026, uma nova lei que proíbe a realização de descontos automáticos em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS. A mudança visa proteger esse público de fraudes e práticas abusivas que, nos últimos anos, geraram prejuízos bilionários.
Segundo a lei, fica proibida a realização de descontos automáticos em benefícios administrados pelo INSS, referentes a mensalidades, contribuições ou quaisquer valores destinados a associações, sindicatos, entidades de classe ou organizações de aposentados, mesmo com autorização do beneficiário. O objetivo é assegurar o recebimento integral e evitar interferências externas nos valores pagos a aposentados e pensionistas.
O que muda com o fim dos descontos automáticos
Com a promulgação da nova norma, o cenário para aposentados e pensionistas administrados pelo órgão federal passa por alterações. Se antes era comum autorizar descontos diretamente na folha para pagamento de mensalidades associativas ou de entidades representativas, agora a lei determina que isso não é mais permitido sob nenhuma circunstância.
Além disso, foi determinado que, ao identificar a ocorrência de desconto indevido referente a mensalidade associativa ou pagamento de crédito consignado, a devolução integral deve ser feita ao beneficiário lesado. Isso inclui a atualização monetária do valor e o respeito ao prazo de até 30 dias contados a partir da notificação da irregularidade ainda não comunicada ou da decisão administrativa definitiva reconhecendo o desconto como indevido.
Responsabilidade pela restituição dos valores
Caso tenha ocorrido desconto indevido, a responsabilidade de realizar a devolução cabe à entidade associativa, instituição financeira ou sociedade de arrendamento mercantil envolvida. O montante deve ser restituído ao beneficiário em até 30 dias.
No entanto, foi vetado o trecho que previa que, caso a instituição não restituísse o valor no prazo, o próprio INSS ficaria encarregado de ressarcir diretamente a vítima e depois buscar o valor junto à instituição, podendo inclusive acionar a Justiça. Desta forma, é reforçada a obrigação de quem realizou o desconto indevido de ser o único responsável pela devolução dos valores.
Contexto e impactos dos descontos indevidos
A decisão de sancionar essa lei ocorre após um período de grande repercussão envolvendo fraudes em aposentadorias e pensões. Em abril de 2025, uma operação liderada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União investigou um esquema de descontos indevidos, que resultou em um prejuízo estimado de R$ 6,3 bilhões aos beneficiários entre 2019 e 2024.
Apenas entre os anos mais recentes, cerca de 6,2 milhões de pedidos de ressarcimento foram encaminhados ao órgão, evidenciando a necessidade de novas regras para impedir que situações semelhantes continuassem acontecendo no país.

Novos mecanismos de proteção
Com a proibição dos descontos automáticos, espera-se uma proteção ampliada aos aposentados e pensionistas, reduzindo-se consideravelmente as vulnerabilidades perante práticas abusivas. Sindicatos, associações e outras entidades deverão buscar métodos alternativos para captação e cobrança de mensalidades, sempre com ampla transparência e consentimento individual, sem interferência direta nos benefícios previdenciários.
Vetos ao texto original e ajustes finais
Embora o objetivo principal tenha sido mantido, ajustes foram feitos no texto por meio de vetos presidenciais. Destaca-se o veto ao dispositivo que atribuía ao INSS a tarefa de ressarcir diretamente o segurado em caso de não devolução pela instituição após 30 dias, transferindo a cobrança posterior para o órgão público junto à instituição financeira. Assim, a devolução permanece de competência exclusiva da instituição responsável pelo desconto.
Os beneficiários que comprovarem descontos indevidos em mensalidades ou consignados deverão comunicar o fato à entidade, que terá o prazo estipulado para regularização. O novo regramento cria barreiras contra condutas irregulares, além de incentivar mais clareza nos procedimentos e contratos firmados com aposentados e pensionistas.
Operação Sem Desconto e o papel da fiscalização
A operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, foi determinante para a aprovação da mudança. Responsável por investigar esquemas fraudulentos que impactaram negativamente a renda de milhões de segurados, a força-tarefa revelou falhas sistêmicas no controle sobre os descontos automáticos realizados em benefícios do INSS.
O impacto financeiro foi expressivo: estimativas apontaram prejuízos de R$ 6,3 bilhões provenientes de descontos causados por fraudes e práticas abusivas. Desta forma, reforçou-se o papel de organismos de fiscalização e controle em garantir o recebimento integral dos direitos previdenciários.
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