Inflação do Brasil é a maior para o mês de março desde 1994

Taxa tem forte aceleração de 1,62% no mês e inflação acumulada em 12 meses chega a 11,30%; gasolina impulsiona variação mensal

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 1,62% em março deste ano, ficando 0,61 ponto percentual (p.p.) acima da taxa observada em fevereiro (1,01%). A saber, esse é o maior nível para um mês de março desde 1994, quando a inflação havia disparado 42,75%, período que antecedeu a implementação do Plano Real.

Além disso, o IBGE revelou que esta é a maior variação mensal desde janeiro de 2003 (2,25%), ou seja, o país não tem uma variação tão forte em um único mês há 19 anos. Aliás, o IPCA é a inflação oficial do Brasil.

Com isso, a variação acumulada nos últimos 12 meses encerrados em março passou de 10,54% para 11,30%. Este é o maior índice para 12 meses desde outubro de 2003 (13,98%). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo levantamento, divulgou as informações nesta sexta-feira (8).

Em março do ano passado, a inflação do país havia chegado a 0,93%. A propósito, a variação do IPCA veio acima do esperado pelo mercado. A mediana das projeções de economistas era de 1,32% no mês.

Educação e alimentação e bebidas exercem maiores impactos no IPCA

De acordo com o IBGE, oito dos nove grupos pesquisados tiveram variação positiva em março. A saber, o grupo transportes apresentou o maior impacto no indicador, de 0,65 ponto percentual (p.p.). A inflação do segmento disparou de 0,46% em fevereiro para 3,02% em março.

“Tivemos um reajuste de 18,77% no preço médio da gasolina vendida pela Petrobras para as distribuidoras, no dia 11 de março. Houve também altas nos preços do gás veicular (5,29%), do etanol (3,02%) e do óleo diesel (13,65%)… além do transporte por aplicativo (7,98%) e do conserto de automóvel (1,47%)”, disse o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

O grupo alimentação e bebidas exerceu o segundo maior impacto no índice em março. Em resumo, a variação do grupo saltou de 1,28% para 2,42%, enquanto o impacto exercido no IPCA foi de 0,51 p.p.

“Foi uma alta disseminada nos preços. Vários alimentos sofreram uma pressão inflacionária. Isso aconteceu por questões específicas de cada alimento, principalmente fatores climáticos, mas também está relacionado ao custo do frete. O aumento nos preços dos combustíveis acaba refletindo em outros produtos da economia, entre eles, os alimentos”, acrescentou Kislanov.

A saber, estes dois grupos representaram 71,6% da variação do IPCA em março.

Confira as variações dos outros grupos no mês

O terceiro maior impacto no IPCA foi exercido pelo grupo habitação (0,18 p.p.), cuja taxa passou de 0,54% para 1,15%. Em suma, a inflação do segmento acelerou devido ao aumento de 6,57% do preço do gás de botijão, pressionado pelo reajuste de 16,06% promovido pela Petrobras às distribuidoras do país.

As variações dos outros grupos foram as seguintes: saúde e cuidados pessoais (0,47% para 0,88%), vestuário (0,88% para 1,82%), despesas pessoais (0,64% para 0,59%), artigos de residência (1,76% para 0,57%), educação (5,61% para 0,15%) e comunicação (0,29 % para -0,05%). O impacto destes grupos na inflação variou entre 0,06 p.p. e 0,01 p.p.

Por fim, os impactos exercidos por estes grupos na variação do IPCA em março variaram entre 0,11 p.p. e 0,00 p.p.

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