Quando se fala em castelos, a maioria das pessoas pensa na Europa. Porém, existe um castelo medieval no Brasil, erguido no século XVI, que ainda hoje intriga arqueólogos e turistas. Localizado em Praia do Forte, Bahia, o Castelo Garcia d’Ávila mistura ruínas impressionantes e uma igreja preservada, cercadas por lendas e achados históricos que desafiam especialistas. A seguir, você conhecerá sete curiosidades pouco divulgadas sobre essa joia colonial, além de dicas práticas para visitar o local e entender sua importância cultural.
Origem e construção: muito além de um simples engenho
O Castelo Garcia d’Ávila começou a ser construído em 1551, quando o português Tomé de Souza, primeiro governador-geral do Brasil, concedeu a seu filho de criação, Garcia d’Ávila, a capitania hereditária de São Jorge. Diferentemente de outras edificações coloniais, o complexo foi pensado como casa-forte, capela e posto de vigia, refletindo uma estratégia militar semelhante à de fortalezas medievais europeias.
As paredes de pedra e cal chegam a dois metros de espessura, e o conjunto ocupava originalmente mais de 600 m². Para levantar os andares superiores, os trabalhadores usaram taipa de pedra, técnica mista que mescla pedras irregulares e argila, garantindo isolamento térmico e resistência a ataques indígenas e invasões corsárias.
7 curiosidades que surpreendem até historiadores
- Primeiro castelo em estilo medieval das Américas: embora existam fortalezas mais antigas, esta é a única residência-fortaleza no estilo da Baixa Idade Média encontrada em todo o continente.
- Igreja intacta: a Capela de Nossa Senhora da Conceição, finalizada em 1624, continua funcionando para missas e casamentos, mantendo altares originais entalhados em cedro brasileiro.
- Maior latifúndio do período colonial: a família Ávila controlou cerca de 800 km de costa, do Sergipe ao Maranhão, influenciando a pecuária e a extração de pau-brasil.
- Piso hidráulico “secreto”: escavações de 2018 revelaram canais subterrâneos que drenavam água da chuva, evitando infiltrações—a mesma solução usada em castelos franceses do século XIII.
- Lenda do tesouro enterrado: moradores relatam que Garcia d’Ávila escondeu ouro e pedras preciosas nos alicerces antes de partir para a Guerra dos Aymorés; nada foi encontrado até hoje.
- Observatório natural de baleias: do topo das ruínas, é possível avistar jubartes entre julho e outubro, graças à elevação de 70 m acima do nível do mar.
- Cenário de cinema: em 1975, partes do filme “Cabocla” foram rodadas ali, impulsionando o turismo na região.
Como visitar o castelo medieval no Brasil hoje
O acesso ao castelo medieval no Brasil é feito pela BA-099 (Linha Verde), a 80 km de Salvador. O ingresso custa R$ 25, com meia entrada para estudantes e idosos. Guias locais oferecem tours de 40 minutos em português, inglês e espanhol.
Para aproveitar ao máximo:
- Chegue antes das 10 h, quando a luz ressalta as texturas da pedra calcária.
- Use calçado fechado; o terreno é irregular.
- Leve água e protetor solar: a área é aberta e venta bastante.
O complexo conta ainda com um pequeno museu arqueológico, café e loja de artesanato que comercializa peças inspiradas em azulejos quinhentistas.
Importância histórica e cultural para o Brasil
Além de ser o único castelo medieval escondido no país, a edificação simboliza o início da colonização no recôncavo baiano. Pesquisas da Universidade Federal da Bahia (UFBA) apontam que, dali, partiram expedições que interiorizaram a criação de gado, influenciando a formação do sertão nordestino.
“Compreender o Castelo Garcia d’Ávila é entender as bases econômicas do Brasil colonial”, destaca a historiadora Maria Luiza Travassos, autora de “Fortalezas e Senzalas”.
O sítio arqueológico ainda preserva cerâmicas indígenas Tupi e artefatos africanos, evidenciando o encontro entre povos originários, colonizadores europeus e escravizados.
Preservação, desafios e projeções futuras
Desde 1938, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o local, mas a maresia e a vegetação levam partes da muralha a desmoronar todos os anos. O Projeto Garcia d’Ávila 2030, lançado em 2022, prevê:
- Escaneamento 3D das ruínas para criar um gêmeo digital.
- Captação de R$ 12 milhões via Lei Rouanet para restauro emergencial.
- Programas de educação patrimonial com escolas da região.
Diversas ONGs defendem que a inclusão do castelo medieval no Brasil como Patrimônio Mundial da UNESCO ajudaria a garantir recursos internacionais e a visibilidade necessária para sua conservação.
Visitar o Castelo Garcia d’Ávila é mais do que um passeio fotogênico; é uma oportunidade de vivenciar parte da nossa história e apoiar esforços de preservação. Agora que você conhece essas curiosidades, que tal programar sua viagem e contribuir para manter viva essa herança única?
