Pelo menos 80 pessoas morreram após um surto da cepa Bundibugyo do Ebola na província de Ituri, leste da República Democrática do Congo, segundo o Ministério da Saúde local. Já foram confirmados 13 casos em laboratório e outros 246 permanecem sob investigação, abrangendo zonas como Rwampara, Mongwalu e Bunia, informou o órgão oficial. A África CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África) alerta que a propagação pode ser agravada pela mobilidade das áreas mineradoras e a proximidade com Uganda e Sudão do Sul. Nesta ocasião, o vírus identificado não é da cepa Zaire, exigindo avaliação laboratorial específica e possível adaptação das vacinas e tratamentos em uso.
Surto de Ebola em Ituri intensifica resposta regional
O surto foi reconhecido pela agência de saúde africana em 14 de maio de 2026, mobilizando recursos do Ministério da Saúde da RDC, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da África CDC para ações de vigilância, testagem e atendimento especializado. Segundo Jean Kaseya, diretora-geral da África CDC, está sendo articulada uma força-tarefa internacional para reforçar a cooperação fronteiriça, especialmente entre Congo, Uganda e Sudão do Sul. A OMS investiu US$ 500 mil em medidas como rastreamento de contatos, testes laboratoriais avançados e assistência clínica.
A principal diferença deste surto está na identificação da variante Bundibugyo, menos comum na região, o que representa um desafio técnico, já que vacinas e tratamentos foram desenvolvidos majoritariamente com foco na cepa Zaire, relatou Jean-Jacques Muyembe, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa e codescobridor do vírus Ebola.
Uganda reportou a morte de um nacional do Congo em Kampala, associada à importação do vírus Bundibugyo, sem registro de transmissão local. As autoridades ugandesas reforçaram a vigilância em postos fronteiriços.
Avanço do surto é agravado por crise humanitária e violência
A situação sanitária se complica pela crise de segurança em Ituri, marcada por confrontos entre milícias rivais, que em maio deixaram dezenas de mortos entre civis e comprometeram a capacidade de resposta dos hospitais, uma realidade alertada pela Médicos Sem Fronteiras. A deterioração das condições de higiene em abrigos para deslocados aumenta o risco de novas transmissões, segundo a organização.
No histórico da região, este é o 17º surto de Ebola no Congo desde 1976, sendo o anterior encerrado na província de Kasai em dezembro de 2025, após três meses, com 64 casos, dos quais 45 evoluíram para óbito.
A doença pelo vírus Ebola é altamente letal, com taxa de mortalidade superior a 50% em surtos recentes, ressaltou o Africa CDC. A transmissão ocorre por contato direto com fluidos corporais de infectados, ou ainda por materiais contaminados. As áreas florestais do Congo seguem como ponto endêmico da doença, exigindo estratégias contínuas de vigilância epidemiológica.
Vigilância epidemiológica e ações de contenção
Diante das circunstâncias, a OMS e o Ministério da Saúde da RDC ativaram centros de operações de emergência e enviaram equipes de resposta rápida às principais áreas afetadas. O sequenciamento genético está em andamento para compreender como a nova cepa pode impactar a eficácia de protocolos atuais de tratamento e prevenir a disseminação para regiões vizinhas. Organismos internacionais acompanham o caso e reforçam medidas preventivas em redes de assistência local e em países fronteiriços, prevenindo assim uma propagação de maiores proporções.