O volume do setor de serviços brasileiro caiu 1,2% em março de 2026, com destaque negativo para transportes, segundo o IBGE. Os dados abrangem cinco segmentos e apontam crescimento anual acumulado de 2,8%, mesmo com a retração recente. A edição mais recente da Pesquisa Mensal de Serviços mostra que março registrou o pior resultado para o mês em cinco anos. O setor profissional, administrativo e o segmento de transportes lideraram perdas, enquanto tecnologia da informação puxou avanços.
Comparativo com expectativas e cenário macroeconômico
A estimativa de queda para março, conforme levantamento da Reuters, era bem mais suave, em -0,1%, e o crescimento anual esperado era de 4,5%, acima dos 3% apurados. O IBGE indica desaceleração após sequência de crescimento nos últimos anos. O resultado abaixo do esperado reflete impacto de fatores como a política monetária e a elevação dos custos operacionais, citando ainda a Selic mantida em 14,5% ao ano desde 2024.
Projeção anual e distribuição das quedas
Segundo o IBGE, o balanço de janeiro a março mostra expansão de 2,3% frente ao mesmo período do ano anterior, com desempenho positivo em 48,2% das atividades analisadas. Todas as cinco categorias apresentaram retração em março, sendo transportes a mais afetada, com recuo de 1,7%. O setor eliminou o avanço do início do ano, devido principalmente à queda no transporte rodoviário de cargas e no aéreo de passageiros, consequência do atraso na colheita agrícola por eventos climáticos extremos.
Consequências dos eventos externos e inflação
O início do conflito no Oriente Médio impactou preços globais do petróleo, pressionando a inflação brasileira. Em março, o IPCA alcançou 0,88%, maior taxa em um ano, puxado por transportes e alimentos. O IBGE registra que o reajuste nos combustíveis teve efeito direto no desempenho do setor de serviços. A reconfiguração do consumo, somada à elevação dos custos, levou à queda da demanda em diversos serviços, inclusive turísticos e familiares.
Setores em destaque e dinâmica recente
No recorte setorial, informações e comunicação cresceram 6,3%, impulsionadas por serviços de consultoria em TI e computação em nuvem. Já outros grupos, como serviços prestados às famílias (−1,5%), profissionais e administrativos (−1,1%), além dos chamados outros serviços (−2%) sentiram retração. O setor de transportes de passageiros caiu 3,4% pelo segundo mês consecutivo, reflexo do cenário adverso climático e encarecimento dos combustíveis.
Serviços em comparação histórica
Embora o crescimento acumulado em doze meses (2,8%) mantenha o ritmo do início do ano, o desempenho atual mostra desaceleração. De acordo com dados do IBGE, o segmento de serviços vinha liderando a recuperação econômica pós-pandemia, mas agora evidencia sinais de acomodação, com sensibilidade à demanda interna e às variações macroeconômicas.


