Sistemas do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ficam indisponíveis para inscrições, baixas, alterações e atualizações a partir das 21h desta quinta-feira (23), devido à implantação do formato alfanumérico, segundo a Receita Federal.
O órgão realiza parada programada em duas fases para atualizar sua base, incorporando letras ao CNPJ para ampliar as combinações possíveis para novos registros. Durante esse período, a abertura de empresas e outros procedimentos ficam suspensos.
Confira a seguir as datas exatas da interrupção, quando o novo padrão começa a valer, como será a transição para empresas e escritórios de contabilidade e o que muda na composição do CNPJ.

Cronograma da interrupção dos sistemas do CNPJ
A indisponibilidade dos sistemas do CNPJ foi dividida em duas etapas pela Receita Federal:
- Fase 1 – Consulta exclusiva: das 21h de quinta-feira (23) até 7h de sábado (25), a base responde apenas a consultas. Inscrições, baixas, alterações e atualizações cadastrais estarão bloqueadas.
- Fase 2 – Indisponibilidade total: a partir das 7h de sábado (25), todo o sistema sai do ar para a finalização da migração tecnológica. O restabelecimento está previsto para as 7h de segunda-feira (27), já com os sistemas adaptados ao novo formato.
Durante o período, o Portal Único Siscomex também será afetado. Processos como abertura de empresas, alterações contratuais e consultas à base do CNPJ permanecem indisponíveis. Quem tem demandas nesses serviços deve resolvê-las antes das 21h do dia 23.
Implantação do CNPJ alfanumérico: data de início e regras
A Receita Federal prevê a emissão do primeiro CNPJ no formato alfanumérico para 31 de julho. Até lá, nada muda para inscritos atuais.
A adoção do novo padrão será gradual e atingirá apenas novas inscrições de pessoas jurídicas, como empresas recém-abertas, filiais, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais. Os registros existentes continuam válidos e não haverá troca automática: empresas já inscritas não precisam procurar a Receita ou órgãos estaduais e municipais.
O sistema público passará a aceitar tanto o formato antigo (apenas números) quanto o novo, com adaptação automática. O processo de abertura de empresas segue integrado à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim).
Como fica o novo número do CNPJ
O novo padrão mantém as 14 posições e o mesmo uso de pontos, barra e hífen. O que muda é o tipo de caractere aceito em cada trecho:
- Oito primeiras posições: podem ser letras (A–Z) ou números (0–9), formam a raiz do número.
- Quatro posições seguintes: também aceitam letras ou números, indicam a ordem do estabelecimento (matriz ou filial).
- Duas últimas posições: permanecem exclusivamente numéricas para os dígitos verificadores.
Essa configuração está detalhada no Anexo XV da Instrução Normativa RFB nº 2.119/2022, com ajustes pela Instrução Normativa RFB nº 2.229/2024, que marcou a implantação para julho de 2026. O padrão visual do CNPJ permanece, apenas passando a aceitar letras em parte dos campos numéricos.
Validação do dígito verificador: mudanças técnicas
A validação do dígito verificador do CNPJ — os dois números finais — segue o método do Módulo 11, mas passa a considerar letras. Cada caractere é convertido em valor numérico pela tabela ASCII menos 48: letras A–Z recebem valores sequenciais a partir de 17, enquanto os números permanecem inalterados. Após essa conversão, a regra de validação permanece igual.
A Receita Federal disponibilizará rotinas programáveis nos principais idiomas de programação para apoiar desenvolvedores na transição.
Ajustes em sistemas de empresas e escritórios de contabilidade
Softwares de emissão de nota fiscal, cadastros internos e rotinas de validação exigem atualização para aceitar o novo formato alfanumérico e validar os dígitos verificadores. Empresas e escritórios devem garantir que seus sistemas reconheçam esse padrão — mesmo aquelas que não receberão novo CNPJ, já que podem lidar com clientes, fornecedores ou parceiros identificados pelo novo formato.
Sistemas não adaptados podem enfrentar falhas em emissão de documentos, cadastro e obrigações fiscais. O ajuste é essencial especialmente para escritórios de contabilidade que operam para diversos tipos de clientes.
Ferramenta gratuita para teste do novo CNPJ
A Receita Federal oferece o Simulador Nacional de CNPJ, que permite a desenvolvedores gerar até mil CNPJs fictícios por usuário, validar a formação e cálculo dos dígitos e manter histórico da sessão, tudo sem acessar dados reais ou violar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A ferramenta funciona no próprio navegador e, uma vez carregada, pode ser utilizada offline, facilitando a adaptação de sistemas internos ao novo modelo.
Dúvidas, consulta e canais oficiais
Informações detalhadas, regras de formação, etapas da implantação e demais orientações podem ser verificadas no portal oficial da Receita Federal ou junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). O acesso pode ser feito diretamente pelo Portal Redesim para serviços de abertura, alteração ou baixa de empresa. Para suporte, a orientação é buscar canais institucionais — site da Receita Federal, sistemas do gov.br, ou atendimento presencial na Rede de Atendimento ao Cidadão (Receita Federal e Juntas Comerciais estaduais).
Consultas e adaptações de cadastro, assim como informações sobre obrigações fiscais e sistema CNPJ, nunca exigem pagamento ou intermediação de terceiros. Recomenda-se atenção para acessar apenas páginas oficiais e usar exclusivamente os canais reconhecidos pela Receita Federal e órgãos públicos estaduais e municipais.

