O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou que a avaliação sobre o aumento da mistura deve ser concluída em até 15 dias. Após esse período, o CNPE deliberará sobre a aplicação da medida.
Caso aprovada, a mudança será comunicada aos postos e distribuidoras com antecedência mínima exigida por lei. A alteração não será retroativa e valerá apenas para novas remessas fabricadas após a publicação da norma oficial.
Economia projetada para motoristas e para o país
O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, destacou que a diferença de preço entre etanol e gasolina comum atinge R$ 2,40 por litro em várias regiões. Com o aumento da mistura, parte da gasolina seria substituída por etanol mais barato, o que poderia reduzir o custo final para o consumidor.

Segundo representantes do governo e do setor sucroalcooleiro, a medida pode gerar:
| Indicador | Projeção |
|---|---|
| Economia de gasolina importada | Até 450 milhões de litros por ano |
| Economia à população (últimos 3 meses) | R$ 2 bilhões |
| Redução de importação de fósseis | R$ 8 bilhões evitados |
A Bioenergia Brasil projeta acréscimo de mais de 4 bilhões de litros de etanol em 2026, volume que garantiria o abastecimento da mistura ampliada.
Quais veículos são afetados pela mudança
A alteração atinge apenas a gasolina comum vendida nos postos. Veículos movidos exclusivamente a etanol hidratado ou diesel não sofrem impacto direto.
Para carros flex e movidos a gasolina, a elevação para até 32% (E32) é tecnicamente viável, segundo testes já realizados em modelos brasileiros. De acordo com a Unica, esse percentual foi validado quando houve aumento para 30% em 2025, sem alteração perceptível no desempenho dos veículos.
O etanol anidro (sem água) é adicionado à gasolina como mandato legal, diferentemente do etanol hidratado vendido puro nos postos. Especialistas do setor automotivo consultados pelo Ministério avaliam que não há risco para motores de carros compatíveis com gasolina vendida no país, já que as tecnologias modernas trabalham com flexibilidade para esse tipo de ajuste.
Motivos apresentados pelo governo para a proposta
O Ministério de Minas e Energia defende a medida com base em diversos argumentos:
- Redução da dependência externa no setor de combustíveis
- Fortalecimento da cadeia produtiva da cana-de-açúcar
- Ampliação do cultivo de biomassa no Brasil
- Incentivo ao emprego e à renda na zona rural
- Alinhamento com políticas de descarbonização e compromissos climáticos
A proposta também busca minimizar impactos dos conflitos internacionais na oscilação do preço dos combustíveis fósseis, já que componentes produzidos localmente têm menos variação cambial e logística.
Impacto ambiental da elevação da mistura
A iniciativa é defendida por entidades como forma de reduzir emissões de gases poluentes. O etanol é um combustível renovável e possui menor pegada de carbono comparado à gasolina convencional.
A substituição integra ações nacionais e compromissos internacionais de descarbonização previstos na Lei Combustível do Futuro, reforçando o papel do Brasil como referência mundial em biocombustíveis.
