Justiça determina que governo federal pare de fazer campanhas do ‘kit Covid-19’

De acordo com a ação, influenciadores foram contratados pelo governo federal ao custo total de R$ 23 mil para que o 'kit Covid-19' fosse incentivado aos seus seguidores

0

A juíza Ana Lúcia Petri Betto, da 6ª Vara Cível Federal de São Paulo determinou que o governo federal pare de realizar campanhas que incentivam ou fazem referências a medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Além disso, ela também ordenou que os influenciadores digitais contratados pela gestão publiquem mensagens para desencorajar o uso do ‘kit Covid-19’.

Ministro da Justiça defende Bolsonaro e diz que é um ‘absurdo o chamarem de genocida’

A decisão é de quinta-feira (29), mas foi divulgada nesta sexta-feira (30), e vai ao encontro de uma ação civil pública protocolada por Luna Zarattini Brandão contra o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten, e contra a agência Calia/Y2 Propaganda e Marketing e os influenciadores Flavia Viana, João Zoli, Jessica Tayara e Pam Puertas.

De acordo com a ação, influenciadores foram contratados pelo governo federal ao custo total de R$ 23 mil para que o ‘kit Covid-19’ fosse incentivado aos seus seguidores. Segundo a União, que nega a acusação, ninguém foi patrocinado para que o “tratamento precoce” fosse incentivado. No entanto, a alegação não foi aceita pela 6ª Vara Cível Federal de São Paulo.

“O briefing encaminhado pelo Ministério da Saúde indica, de maneira expressa, o ‘cuidado precoce para pacientes com Covid-19’, como ‘job’. Estabelece, ainda, que ‘para auxiliar na sua decisão, o Ministério da Saúde colocou à disposição desses profissionais um informe que reúne tratamentos em estudo no mundo que mostram resultados positivos na recuperação de pacientes'”, escreveu Ana Lúcia Petri Betto em sua decisão.

Publicação de Flávia Viana (Foto: Reprodução/Instagram)
De acordo com a ação, influenciadores foram contratados pelo governo federal ao custo total de R$ 23 mil para que o ‘kit Covid-19’ fosse incentivado aos seus seguidores. (Foto: Reprodução/Instagram)

Na decisão, a magistrada também cita uma postagem do Ministério da Saúde nas redes sociais que dizia: “Para combater a Covid-19, a orientação é não esperar. Quanto mais cedo começar o tratamento, maiores as chances de recuperação. Então, fique atento! Ao apresentar os sintomas da Covid-19, #NãoEspere, procure uma Unidade de Saúde e solicite o tratamento precoce”.

Por fim, a magistrada ainda revela outros casos de incentivo ao “tratamento precoce”, como a criação do aplicativo do Ministério da Saúde “TrateCov”, que recomendava a prática e que foi retirado do ar após pedido do Conselho Federal de Medicina.

Tratamento precoce

Chamado de ‘kit Covid-19’”, o “tratamento precoce” incentivado pelo governo federal, sobretudo pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), é composto por medicamentos como a ivermectina, a hidroxicloroquina, a cloroquina e a azitromicina.

Conforme publicou o Brasil123 recentemente, a Associação Médica Brasileira (AMB) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) já emitiram nota conjunta para informar que nenhuma medicação tem eficácia na prevenção da Covid-19, e que pesquisas com medicações para outras doenças ainda estão em curso.

Leia também: Covid-19: Ministro da Saúde faz apelo para países doarem vacinas ao Brasil

Leia Também:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.