Pastor e esposa mantinham indígenas em situação de escravidão no interior do Amapá

O pastor e sua mulher teriam retirado as vítimas da aldeia onde elas viviam para que elas trabalhassem vendendo melancias

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A Polícia Civil revelou nesta sexta-feira (14) que indiciou um pastor e sua mulher em Porto Grande, no Amapá. O motivo: eles são acusados de reduzir à condição análoga a de escravo dois primos indígenas, de 15 e 19 anos.

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De acordo com a corporação, o casal teria retirado as vítimas da aldeia onde elas viviam, no interior do Pará, para que elas trabalhassem vendendo melancias no município de Porto Grande, na região central do estado.

Segundo a Polícia Civil, os primos moraram com o pastor e sua mulher desde setembro do ano passado. Por lá, eles eram obrigados a trabalhar sem salário e ainda eram proibidos de manter contato com outras pessoas.

Em entrevista coletiva, Bruno Braz, delegado à frente do caso, revelou que os dois jovens contaram em depoimento que esse pastor, que não teve o nome revelado, passou uma temporada na aldeia deles e os convenceram a ir para Porto Grande.

“A promessa é que os primos poderiam estudar […] Passavam fome, não podiam parar nem para ir ao banheiro, dormiam em condições precárias, enquanto o pastor e sua esposa se aproveitavam da situação”, contou o delegado.

Pastor foi obrigado a procurar ajuda

Bruno Braz revela que o caso veio à tona após o próprio pastor ter ido ao Conselho Tutelar para pedir ajuda para que os primos voltassem para casa. Segundo o delegado, a denúncia só aconteceu porque uma vizinha descobriu o caso e obrigou que o casal fizesse a denúncia.

“O Conselho Tutelar acionou a Funai [Fundação Nacional do Índio] que, com o apoio da Prefeitura de Porto Grande, encontrou os dois indígenas e os apresentou na delegacia e buscará devolver os jovens para sua aldeia, localizada às margens do Rio Curupi, no município de Paragominas, no estado do Pará”, detalha o agente público.

Casal nega as acusações

Por fim, o delegado ainda relata que tanto o pastor quanto a sua esposa negam as acusações. Segundo a dupla, eles tinham afeto pelos indígenas e buscavam “dar uma vida melhor a eles”.

Apesar da alegação, a informação é que os dois, além da acusação pela condição de escravidão, também foram indiciados por subtração de incapazes. Isso porque, de acordo com a Polícia Civil, os primos não tinham nenhum documento ou autorização para retirar os jovens da aldeia.

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