Ministro do STF diz que gastou ‘tempo discutindo a bobagem do voto impresso’

Barroso se referiu a PEC do voto impresso, que apesar de ser defendida por Bolsonaro, não conseguiu ser aprovada e acabou sendo arquivada

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Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na sexta-feira (13), durante sua participação no XXIV Congresso Brasileiro de Magistrados, em Salvador, na Bahia, que, durante o tempo em que foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teve de gastar tempo “discutindo a bobagem do voto impresso”.

Para o ministro, ao invés de defender a confiabilidade do sistema eleitoral, ele teria que ter dado mais atenção para as pautas no TSE, como vagas para mulheres no Congresso Nacional. No entanto, ele precisou gastar seu tempo “discutindo a bobagem do voto impresso”.

A fala de Barroso acontece porque, no ano passado, com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL), o TSE teve que discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso, que chegou na Câmara dos Deputados por conta das dúvidas colocadas em foco por pessoas que duvidam da segurança do atual sistema de votação.

Apesar da forte campanha de Bolsonaro e aliados, o projeto acabou sendo barrado em agosto do ano passado na Câmara. Na ocasião, apoiadores do voto impresso conseguiram 229 votos, um número bem abaixo do necessário para a proposta ir adiante: 308.

Barroso se referiu a PEC do voto impresso, que apesar de ser defendida por Bolsonaro, não conseguiu ser aprovada e acabou sendo arquivada.
Barroso se referiu a PEC do voto impresso, que apesar de ser defendida por Bolsonaro, não conseguiu ser aprovada e acabou sendo arquivada. (Foto: reprodução)

Durante sua fala, o ministro preferiu não citar diretamente o Brasil, limitando-se a falar de países como Venezuela, Hungria e Rússia para dar exemplos de regressos democráticos. “O mundo vive um momento lúgubre, triste e agressivo. Em tempos assim, é preciso ter cuidado para não entrar no clima, para não ser parte da negatividade geral”, afirmou.

Em outro momento, ele ainda comentou sobre a importância das redes sociais e meios digitais como um todo para a democracia. Na ocasião, ele destacou os benefícios, mas também os perigos que a internet pode apresentar para o processo de manutenção da democracia.

“A internet virou um espaço onde se difunde ódio e desinformação e de propagação da intolerância”, disse Barroso, que deixou a presidência do TSE no começo do ano, dando lugar ao ministro Edson Fachin que, como tem publicado o Brasil123, vem sendo uma voz constante na defesa do processo eleitoral.

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