Liberação de auxílios adia inflação e queda do PIB para 2023, diz FGV Ibre

Governo federal aumentou os gastos com a proximidade das eleições presidenciais, mas resultado pode ser bem ruim para a população no próximo ano

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Milhões de brasileiros comemoraram na semana passada a promulgação da “PEC Kamikaze” pelo Congresso Nacional. A saber, a emenda constitucional permitiu ao governo a utilização de R$ 41,2 bilhões além do teto de gastos para criar benefícios sociais. Além disso, o texto também turbinou outros auxílio já existentes.

De acordo com o Ministério da Cidadania, mais de 18 milhões de pessoas estavam aptas para receber o Auxílio Brasil em julho. E esse número deverá ultrapassar os 20 milhões em agosto, visto que o governo federal pretende incluir mais de dois milhões de pessoas no pagamento do benefício no mês que vem.

A expectativa é que mais de 50 milhões de pessoas sejam beneficiadas diretamente com o Auxílio Brasil. Em resumo, estas pessoas são familiares dos beneficiários que irão receber as parcelas de R$ 600 a partir de agosto. Isso faz parte do pacote de bondades do governo, que também turbinou o vale-gás, além de liberar um “voucher” de R$ 1 mil para caminhoneiros e taxistas.

Embora todos esses gastos sejam positivos para a população mais pobre do país, especialistas afirmam que os resultados em 2023 podem ser bem ruins. Segundo o Boletim Macro, do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), a conta que o Brasil irá pagar no próximo ano será muito cara.

Gastos eleitorais devem empurrar desafios para o próximo ano

O boletim do FGV Ibre elevou a sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2022, de 0,9% para 1,7%. Em resumo, o aumento da renda da população resultará em um consumo mais elevado, que deverá impulsionar os setores de comércio e serviços, grandes motores econômicos do país.

Por outro lado, o aumento dos gastos neste ano também deverá pressionar a inflação. Dessa forma, a expectativa é que a taxa inflacionária se mantenha firme em 2023, ao mesmo tempo em que os gastos da população não serão tão expressivos, pois os benefícios estão sendo liberados apenas até dezembro.

“Ganha-se fôlego de curto prazo, o que é bem apropriado do ponto de vista eleitoral. Mas sabemos que o cobertor é curto. Do ponto de vista fiscal, não há espaço no Orçamento. E, por outro lado, essa recuperação também é inflacionária”, disse Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro.

Para 2023, o FGV Ibre projeta uma queda de 0,3% do PIB brasileiro, contra alta de 0,4% da última projeção. Isso deverá acontecer devido aos gastos eleitorais deste ano, que darão bons resultados no curto prazo, mas dificultarão a vida do brasileiro no longo prazo.

Leia também: FMI DOBRA previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2022

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