Inflação reduz consumo interno e derruba ações do Ibovespa

População sofre com preços de bens e serviços elevados e taxas de juros cada vez mais altas; empresas ligadas ao consumo sofrem com este cenário

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Os brasileiros passaram dois anos difíceis devido à pandemia da Covid-19. A melhora do quadro da crise sanitária no país até poderia indicar melhora na economia e na renda da população. Contudo, não é isso o que está acontecendo no país.

A inflação insiste em se manter em um nível bem mais alto que o desejado. Em resumo, o Banco Central (BC) definiu a meta da inflação em 3,5% para este ano, mas a taxa acumulada em 12 meses supera os 11%. A saber, uma inflação estável permite maior crescimento econômico, visto que há redução nas incertezas do país.

Por isso, o BC vem elevando recorrentemente a taxa básica de juro da economia, a Selic. No começo de março do ano passado, a taxa estava em 2,00% ao ano havia sete meses, mas isso mudou com a primeira elevação da taxa em quase seis anos. Em 12 meses, a Selic já subiu nove vezes e atualmente está a 11,75% ao ano.

Em suma, a Selic figura como o principal instrumento do BC para conter a inflação. A principal consequência da alta de juros no país é a perda do poder de compra do consumidor, o que desaquece a economia. Na verdade, o BC aumenta os juros, que encarece o crédito, para reduzir a demanda interna. Isso aumenta a tendência de queda dos preços de bens e serviços, a tão famosa inflação.

Ações de empresas listadas no Ibovespa despencam com inflação elevada

A inflação elevada não está dificultando apenas a vida dos brasileiros. Diversas empresas listadas na Bolsa Brasileira sofreram fortes perdas em abril, muitas das quais viram suas ações afundarem por causa da inflação elevada no país e suas consequências. Os maiores recuos no mês passado foram de:

  • Locaweb ON (-29,01%);
  • Via ON (-28,78%);
  • Magazine Luiza ON (-28,45%);
  • Inter Banco Unit (-28,44%);
  • Grupo Natura ON (-28,19%);
  • BRF ON (-26,95%);
  • Méliuz ON (-26,56%);
  • Americanas ON (-26,49%);
  • Rede D’Or ON (-26,27%);
  • Hapvida ON (-25,93%).

A saber, a média de desvalorização das empresas com os piores resultados em abril foi de 27,5%. O tombo foi muito maior que o do próprio Ibovespa, principal índice acionário da Bolsa Brasileira, que tombou 10,10%.

Dentre as empresas com as maiores quedas em abril, três delas têm relação direta com o consumo interno: Via, Grupo Natura e Americanas. Além disso, Locaweb, Inter Banco e Méliuz, chamadas empresas de “growth”, tem um crescimento rápido e acima da média, mas elas também são muito ligadas ao consumo interno e dependem da economia brasileira.

Em outras palavras, a desaceleração econômica do país, provocada em parte pela alta dos juros, derrubou muitas empresas no mês passado. A expectativa para os próximos meses não são muito positivas, e isso pode aumentar as perdas destas empresas no ano.

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