CPI da Covid: “Fomos usados de maneira ardilosa”, diz reverendo que negociou vacinas pelo governo

Amilton Gomes pode se recusar a responder perguntas que possam incriminá-lo

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Fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), o reverendo Amilton Gomes de Paula afirmou hoje (03) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 que ele e a Senah foram “usados de maneira ardilosa” para fins que desconhece.

O reverendo foi convocado pela CPI por ter participado, em nome do governo federal, da negociação de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca com a empresa Davati Medical Supply. O depoimento dele estava previsto para o dia 14 de junho, mas foi adiado após Amilton apresentar um atestado médico.

“Hoje, com a série de eventos divulgados, entendemos que fomos usados de maneira ardilosa para fins espúrios e que desconhecemos. Vimos um trabalho de mais de 22 anos de uma ONG, entidade séria, voltada para ações humanitárias, educacionais, jogado na lama, trazendo prejuízo na sua credibilidade e atingindo seus integrantes nas relações profissionais e familiares”, disse o reverendo.

Por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Fux, o reverendo pode se recusar a responder perguntas que possam incriminá-lo, mas deve dizer a verdade sobre fatos que testemunhou durante a negociação das vacinas.

Reverendo diz à CPI da Covid que não negociou vacinas

Durante o depoimento, Amilton disse que “não estava negociando vacinas”, mas, sim “indicando alguém que teria essas vacinas”. Ele também afirmou que participou de uma reunião com Luis Paulo Dominguetti e Cristiano Carvalho, representantes da Davati, servidores do Ministério da Saúde e o ex-secretário executivo da pasta, o coronel Elcio Franco.

“Nessa reunião, que teve a participação do Reverendo Amilton, do Sr. Dominguetti Pereira, do Cristiano Carvalho, dos servidores, dos Srs. Pires e Max, do Dr. Helcio Bruno e do Secretário Executivo, foi extremamente objetivo, afirmando que ele [secretário executivo] conversara diretamente com o laboratório e que eles afirmavam não ter vacina em grande quantidade disponível. Com isso, o secretário reafirmava que precisava de um documento deles, a AstraZeneca, corroborando que a Davati possuía de fato as vacinas mencionadas”, disse Amilton Gomes referindo-se a si mesmo na terceira pessoa.

O reverendo ainda disse que a Senah “pensou seriamente” em abandonar as negociações por conta da “inexistência de documentação pertinente”, porém, após apresentação de novas informações eles acreditaram que “de fato existiam as vacinas para pronta entrega”.

“Diante de tal assertiva das informações trazidas pelo Secretário da inexistência de documentação pertinente por parte da empresa Davati, a Senah pensou seriamente em encerrar a sua participação nesse episódio de apresentação de vacinas para o Ministério da Saúde. Entretanto, diante de novas informações trazidas pelos representantes da Davati, aliado à diminuição de preços, acreditamos que de fato existiam as vacinas para pronta entrega”, disse o reverendo.

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