CPI da Covid deve convocar ministro da Justiça para depor

Vice- presidente da comissão, Randolfe Rodrigues, quer que Anderson Torres explique afirmações de supostos desvios de governadores

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O vice-presidente da CPI da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues, protocolou um pedido de convocação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, para prestar depoimento à comissão.

A solicitação foi feita no último domingo (2) e agora será avaliada pelo relator Renan Calheiros para votação no colegiado.

Caso seja aprovado o pedido, o ministro deverá comparecer e depor na CPI.

Pedido de Randolfe

Na convocação, Randolfe Rodrigues pede que Torres justifique à CPI uma declaração dada à revista Veja.

Na ocasião, o ministro informou que vai solicitar à Polícia Federal informações sobre os inquéritos que envolvem governadores em desvios de dinheiro destinados para as secretarias de Saúde.

Randolfe justificou o pedido se sustentando no fato de que o ministro era secretário de segurança pública do Distrito Federal:

É necessário entender se essas acusações se estendem ao governo do Distrito Federal, uma vez que até recentemente o Ministro era Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, órgão competente para investigação de eventuais condutas ou desvios.

Em entrevista concedida ao colunista Reinaldo Azevedo no último sábado (1º), Randolfe adiantou sua intenção de entrar com o pedido de convocação de Torres.

No mesmo dia que conversou com a coluna, ele disse que já estava escrevendo o material.

O senador comentou que o foco da CPI deve ser ampliado, não questionando somente atos do governo federal:

Há muitos casos sob investigação nos estados desde o início da pandemia. O problema é que isso não está sendo falado. Eu vou pedir esses dados à Polícia Federal, tudo o que já foi feito. Há várias operações em andamento. Isso precisa ser mostrado. As pessoas têm de tomar conhecimento disso também.

Rumos da CPI

Atualmente, há 353 pedidos apresentados por parlamentares aguardando o acolhimento de Calheiros e votação pelo colegiado.

Nesta semana, os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich irão comparecer à CPI, na próxima terça-feira (4).

No dia seguinte (5) será a vez de Eduardo Pazuello, outro ex-ministro da pasta.

Já na quinta-feira (6), os parlamentares vão questionar o atual ministro, Marcelo Queiroga, e o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Antônio Barra Torres.

A agenda das datas foi configurada pelo senador Renan Calheiros, atual relator da CPI.

Ele pediu também que houvesse a entrega de todos os documentos que envolvem as negociações e compras das vacinas para que pudessem ser analisados com o devido tempo e atenção.

Renan acrescentou que é necessário que a União apresente todos os contratos que resultaram em transferências de recursos para os estados e municípios:

Porque os requerimentos de informação terão de ter um parecer de cada um e votados, aprovados pela maioria. Nós não vamos transformar essa CPI em uma batalha eleitoral, política.

A CPI foi instalada com o intuito de investigar supostas ações e omissões do governo Jair Bolsonaro e repasses a Estados e municípios no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

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