Bolsonaro sabia do caso Covaxin, resta saber se participou, diz Renan Calheiros

Carta do presidente ao primeiro-ministro indiano levanta suspeitas de relator da CPI da Covid

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O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta segunda (12) que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sabia das irregularidades no processo de compra da vacina Covaxin, do laboratório Bharat Biotech e, no Brasil, representada pela Precisa Medicamentos.

“Bolsonaro sabia. A dúvida que persiste é saber se participou. Não há mais nenhuma dúvida com a prevaricação”, disse Renan em entrevista ao canal GloboNews.

Segundo Calheiros, uma das principais suspeitas do envolvimento direto de Bolsonaro no caso é uma carta enviada por ele, em janeiro, ao primeiro-ministro da Índia, Narenda Modi, manifestando interesse do Brasil na utilização da Covaxin na campanha de vacinação contra Covid-19.

“Se comprovada a participação do presidente nesse episódio, vamos ter que prever muitas caracterizações no ponto de vista do Código Penal”, afirmou Calheiros. Para ele, Bolsonaro, “pelo desdobramento da investigação”, deverá responder por crime de responsabilidade.

O escândalo envolvendo a compra de 20 milhões de doses da Covaxin por R$ 1,6 bilhões ganhou destaque após depoimento dos irmãos Miranda, que teriam levado o caso ao presidente Bolsonaro diretamente.

Segundo o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), no encontro, Bolsonaro, inclusive, citou o nome do líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) ao tratar sobre o caso da Covaxin.

Irmãos Miranda gravaram encontro com Bolsonaro sobre a Covaxin ?

O encontro contou com a participação de Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, que ao lado do irmão depôs na CPI da Covid sobre o caso Covaxin. Há indícios de que um dos irmãos teria gravado o encontro com o presidente, que já está sendo investigado pela Polícia Federal pelo crime de prevaricação.

Na avaliação de Renan, o áudio não tem utilidade para comprovar a prevaricação, pois “ela já estaria comprovada”. A gravação, entretanto, pode apontar para o envolvimento de outros parlamentares no suposto esquema de corrupção.

Na sexta-feira (9), deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) disse a pessoas próximas que Luis Miranda mostrou um trecho do áudio de Bolsonaro a um grupo de parlamentares. “São 50 minutos de muita informação e baixaria”, afirmou Pimenta no Twitter.

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