Advogado de preso em operação da PF é nomeado por Bolsonaro como juiz no Piauí; entenda

O advogado era o terceiro colocado na lista tríplice, mas acabou sendo o escolhido pelo chefe do Executivo

0

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), nomeou nesta quinta-feira (21) Téssio da Silva Torres como desembargador do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 22ª Região. A nomeação dele, que é advogado, vem um dia após seu cliente, o empresário Eduardo José Barros Costa, o “Eduardo Imperador”, ter sido preso pela Polícia Federal (PF) em uma operação no Maranhão.

De acordo com o decreto de Bolsonaro, Téssio Torres será juiz do TRT em Teresina no lugar de um magistrado que se aposentou. O nomeado foi escolhido pelo presidente em uma lista que tinha três nomes. O advogado era o terceiro colocado na lista tríplice, mas acabou sendo escolhido pelo chefe do Executivo.

Segundo informações do portal “G1”, Téssio Torres também foi advogado da Construservice, empresa que foi a segunda que mais firmou contratos com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) no governo Bolsonaro.

A operação que culminou na prisão do cliente do agora magistrado está vinculada à Codevasf, inclusive. Isso porque o acusado foi preso em uma ação da PF que teve como foco investigar uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos, desviar recursos públicos e lavar dinheiro envolvendo verbas federais em contratos firmados com Codevasf.

Segundo as investigações da PF, “Eduardo Imperador” é apontado como sendo o principal integrante do suposto esquema que envolveu a Construservice e os contratos firmados com a Codevasf. Além de cliente, Eduardo Barros Costa ainda é cunhado do advogado. Isso porque o suspeito é casado com Larissa Torres, irmã do mais novo desembargador de Teresina.

Apesar da alegação de inocência, o acusado permanecerá preso, pois, nesta quinta, durante uma audiência de custódia, o juiz federal Luiz Régis Bomfim filho, da 1ª Vara Federal do Maranhão, optou por manter a prisão provisória de Eduardo José Barros Costa.

Na visão do juiz, os elementos coletados pela Polícia Federal durante os mandados de busca e apreensão cumpridos na quarta-feira justificam a prisão temporária. “Há plausível preocupação diante da informação policial apontando pela apreensão de dinheiro em espécie e demais ativos destacados pelos relatórios de diligências”, disse o magistrado.

Leia também: Ao contrário do que disse Bolsonaro, Edson Fachin não foi advogado do MST

Avalie o Artigo:
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.