Wilson Witzel chora durante interrogatório em processo que apura esquema de corrupção na Saúde no Rio de Janeiro

Governador afastado vai às lágrimas, nega acusações e faz discurso de amor ao Rio durante tribunal de impeachment

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O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, prestou depoimento no processo de impeachment movido contra ele no final da tarde desta quarta-feira (7).

Ao se defender durante o seu interrogatório, Witzel foi às lágrimas e acusou o ex-secretário de Saúde Edmar Santos de receber propina.

O pedido de impeachment foi motivado por graves suspeitas de irregularidades e desvios na área da Saúde do Rio de Janeiro durante a pandemia da Covid-19.

A sessão do Tribunal Misto de Impeachment desta quarta-feira (7) é a última etapa antes da conclusão do processo.

Interrogatório

Antes de prestar esclarecimentos, Wilson Witzel pediu para fazer um desabafo sobre as acusações.

Com a voz embargada e chorando bastante, o governador afastado explanou:

“O que estão fazendo com a minha família é muito cruel, senhor presidente. É muito cruel o que estão fazendo com a minha esposa. Mas eu decidi deixar a magistratura por um ideal, para que eu pudesse ajudar o povo do Rio de Janeiro. Por uma mudança. Por um futuro melhor”.

Witzel afirma ter prometido que “A saúde do Rio de Janeiro iria ser uma saúde exemplar. Mas, infelizmente, o secretário que escolhi… Nós procuramos escolher alguém na Saúde que fosse qualificado, que conhecesse o Rio de Janeiro. O Edmar tinha recebido a Medalha Tiradentes. A Casa o considerava uma pessoa proba”.

Em seguida, o governador voltou a acusar o ex-secretário de Saúde de receber propina em serviços prestados no Hospital Pedro Ernesto.

Ele acusou também o empresário Edson Torres de ser o patrão de Edmar Santos, que havia prestado depoimento mais cedo.

O governador afastado afirmou que não tinha como saber que o ex-secretário integrava um grupo criminoso.

Tentativa de adiar sessão

Wilson Witzel alegou falta de recursos para se defender no processo de impeachment e pediu para adiar a sessão, mas o Tribunal Misto de Impeachment acabou negando a solicitação.

O governador afastado disse não ter condições financeiras de arcar com sua própria defesa.

“Ao longo deste processo, muitos sabem que os meus advogados não são remunerados. As remunerações foram no início pagas por mim em valores extremamente módicos, de forma que não tenho capacidade de pagar um escritório de advocacia. O escritório de Ana Tereza Basílio tem me assistido de forma pro bono”, comentou.

Relembre o caso

Wilson Witzel está afastado do mandato de governador desde agosto de 2020, por determinação do STJ, em um outro processo que corre paralelamente e deu origem ao pedido de impeachment.

O governador afastado foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A suspeita é de que o governador tenha recebido, por intermédio do escritório de advocacia da sua mulher, Helena Witzel, pelo menos R$ 554,2 mil em propina.

A descoberta do esquema criminoso teve início com a apuração de diversas irregularidades na Saúde ao longo de transações realizadas para o enfrentamento da pandemia do coronavírus:

  • contratação dos hospitais de campanha;
  • contratação de respiradores;
  • contratação de medicamentos.

A Procuradoria-Geral da República afirma que o governo do Rio de Janeiro estabeleceu um esquema de propina para essas contratações emergenciais, especialmente nas áreas de Saúde e Educação.

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