Vendedor da Davati diz que propina seria destinada ao “grupo” do coronel Blanco

Cristiano Carvalho afirmou que foi avisado sobre a solicitação ilícita

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Nesta quinta-feira (15), o empresário Cristiano Carvalho, que se apresenta como representante da empresa americana Davati Medical Supply, em depoimento à CPI da Covid, disse que foi informado sobre a solicitação ilícita de um “comissionamento” destinado ao “grupo” do coronel Marcelo Blanco, ex-funcionário do Ministério da Saúde, embora não tenha presenciado o suposto pedido de propina envolvendo a contratação de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca.

O coronel Marcelo Blanco já havia sido citado no depoimento do policial militar e “lobista” da Davati, Luiz Paulo Dominghetti, como responsável por fazer a ponte entre a Davati e o governo federal.

O jantar em que a propina de US$ 1 por dose vendida ao Ministério da Saúde teria sido pedida a Dominghetti aconteceu no dia 25 de fevereiro. Cristiano Carvalho afirmou que só ficou sabendo do suposto ato criminoso em 12 de março, porém, disse que não foi informado sobre os valores. Na ocasião, a propina teria sido pedida a Dominghetti pelo ex-chefe de Logística do ministério, Roberto Ferreira Dias.

“A informação que veio a mim, vale ressaltar isso, não foi o nome propina. Ele [Dominghetti] usou comissionamento. Ele se referiu a esse comissionamento sendo do grupo do tenente-coronel Blanco e da pessoa que o tinha apresentado ao Blanco, que é de nome Odilon.”, disse Carvalho à CPI da Covid.

O nome “Odilon” se refere a Guilherme Filho Odilon, interlocutor entre Dominghetti e o coronel Blanco. O recebimento de comissões por servidores públicos em troca de negócios é proibido.

“Inicialmente, foi passado que era o grupo do Blanco. Com o passar do tempo, depois do fim das negociações, ele se mostrou com uma mágoa muito grande pelo Roberto Dias, tá? Sempre reclamava do Roberto Dias, da comissão e tal. Então, isso me levou a acreditar que realmente existiu o suposto jantar…”, disse Carvalho.

Vendedor da Davati cita o coronel Élcio Franco

Durante o depoimento, o empresário negou ter compactuado ou presenciado qualquer pedido de propina e afirmou que não possui vínculo empregatício com a Davati.

“Não tenho vínculo empregatício [com a Davati]. Foi dito aqui na CPI que eu seria CEO na empresa, que nem tem CEO ou representação aqui no Brasil. A Davati, através de um amigo, pediu para que eu intermediasse a relação com o Ministério da Saúde e o senhor Dominghetti.”, esclareceu.

Além da venda de vacinas ao Ministério da Saúde através do coronel Blanco e de Roberto Dias, Carvalho afirmou que outro caminho foi buscado para concluir a negociação: o coronel Élcio Franco, por intermédio do Instituto Força Brasil, liderado por Helcio Bruno.

Embora ambos os grupos tratassem sobre a compra de vacinas com representantes da Davati, segundo Carvalho, “como um não sabia de que o outro estava negociando e com quem, aparentemente tinha alguma coisa divergente entre eles ali”.

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