Vacinação lenta pode cultivar variantes do coronavírus, diz presidente do Albert Einstein

Hospital observa alta demanda por leitos para pacientes com Covid-19

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Nesta terça-feira (25), em entrevista ao portal UOL, o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner, disse que o ritmo lento da vacinação contra Covid-19 no Brasil pode cultivar novas variantes do coronavírus. A declaração foi dada quando ele foi questionado sobre a preocupação com a variante indiana, que foi detectada pela primeira vez no Maranhão e pode estar presente em mais estados brasileiros.

“A preocupação [com a cepa indiana] é proporcional à preocupação com a lentidão da vacinação. Quando nosso programa avança num ritmo tão lento, gera a oportunidade de cultivar mutações que levam a cepas mais infectantes, colocando em risco o próprio PNI (Programa Nacional de Imunização)”, afirmou.

Até o momento, no Brasil, apenas 9,89% da população já recebeu ambas as doses do imunizante contra Covid-19 — o percentual representa 20.935.857 pessoas.

De acordo com Klajner, o Hospital Albert Einstein tem observado uma crescente demanda por leitos para pacientes com Covid-19.

“Nesse momento, o hospital passou de 112 para 114, 128, 142. Ontem tínhamos 157 leitos ocupados por covid, hoje são em torno de 168 internados”, disse. “Quando começamos a dedicar leitos em número crescente para covid, o risco é não atender os pacientes que têm necessidades com outras doenças. Isso significa o colapso do sistema”.

“Essa semana temos ainda respiro de 10 leitos a serem ocupados, mas abrindo mais 60 leitos de covid ao longo dos próximos dias imaginando a tendência de crescimento.”, acrescentou o presidente do hospital que é um dos mais renomados do Brasil.

Brasil nunca controlou o avanço do coronavírus

Para Klajner, não é possível classificar a pandemia de Covid-19 no Brasil em ondas, já que o país nunca conseguiu de fato controlar o avanço do coronavírus. “Não sei se dá para chamar de terceira onda o que está acontecendo agora porque não houve melhoria ou diminuição marcante de casos por um tempo prolongado.”, disse ele.

O aumento de casos, na visão do presidente do Albert Einstein, já era esperado devido ao comportamento da população, que não adota as medidas não farmacológicas como o distanciamento social e o uso de máscaras.

“A gente vê bares e restaurantes lotados, o abandono do uso de máscara e do distanciamento físico entre as pessoas”, afirmou. “A população está cansada de ficar isolada, as pessoas necessitam trabalhar. Se tudo isso fosse feito com bons exemplos, tenho certeza absoluta que esse grau de contaminação seria menor”, afirmou.

Na contramão da fala sobre bons exemplos, no domingo (23), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) causou aglomeração em um passeio de moto no Rio de Janeiro, que contou com a presença do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Assim como Bolsonaro, o general não usou máscara de proteção contra Covid-19.

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