Trabalho noturno desalinha o ciclo circadiano e prejudica metabolismo

Entre as consequências está o risco de desenvolver obesidade e diabetes

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Banco de imagens: Unsplash

Muitas vezes por opção, outras por necessidade, o trabalho noturno acaba sendo bem recorrente na rotina profissional dos brasileiros.

Algumas profissões e atividades que exigem um desenvolvimento contínuo, como é o caso dos serviços de saúde ou dos motoristas, por exemplo, requer trabalhadores no período da noite, entre outras assistências que hoje funcionam 24 horas, a fim de garantir um diferencial em meio à concorrência.

Esses trabalhadores até garantem benefícios financeiros, visto que o adicional noturno acaba sendo um direito exclusivo para quem é contratado via CLT, entretanto, para algumas pessoas pode acarretar em prejuízos à saúde.

Trabalho Noturno X Saúde

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Um dos principais motivos do trabalho noturno gerar prejuízos à saúde é o desalinhamento do ciclo circadiano do indivíduo, ou seja, virar a noite trabalhando acaba alterando o ritmo biológico do ser humano.

Essa mudança pode impactar negativamente o metabolismo, além de modificar reações fisiológicas, reduzindo a proteção do organismo contra os agentes oxidantes.

Entre as consequências deste desalinhamento, especialistas alertam para o risco de:

  • Obesidade
  • Diabetes
  • Elevação dos níveis de glicose e triglicerídeos
  • Aumento da circunferência abdominal
  • Alterações na pressão arterial

Além disso, devido à diminuição de um importante regulador do estresse oxidativo nas células do sangue, a probabilidade de ocorrer o envelhecimento precoce, também está entre os efeitos da alteração do ritmo biológico destes trabalhadores noturnos.

Estas decorrências foram apontadas, após um estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Sobre o estudo da USP

O estudo sobre os riscos do trabalho noturno, desenvolvido pelos pesquisadores da Faculdade, foi realizado com 40 trabalhadores, sendo que metade trabalha em turno diurno e a outro no noturno.

De acordo com os pesquisadores, foi detectada uma alteração dos genes relacionados ao estresse do retículo endoplasmático. Esta alteração pode ser induzida pelo desalinhamento do padrão do sono dos trabalhadores.

Além disso, este estresse do retículo endoplasmático reflete em grandes impactos ao sistema metabólico, visto que com o excesso de proteína nas células desta organela, ocorre uma sobrecarga da sua capacidade de funcionamento. Como resultado disso, há um desequilíbrio fisiológico.

O que fazer para evitar tais prejuízos do trabalho noturno?

De acordo com os pesquisadores, este estudo abre novas perspectivas para elaboração de novas políticas sobre o trabalho noturno.

Incluir estratégias para reduzir o estresse, e logo, os efeitos negativos decorrentes deste desalinhamento do ciclo circadiano, sem dúvidas, é a principal objeção desta pesquisa.

Além disso, os próprios trabalhadores noturnos também devem buscar novos métodos para aplacar os efeitos da alteração do ritmo biológico, entre eles:

  • Manter o período de sono de no mínimo seis horas na parte diurna
  • Incluir uma atividade física na rotina
  • Aderir a terapias relaxantes como Yoga e meditação
  • Garantir uma alimentação equilibrada, apostando em itens naturais

Vale lembrar, que a alimentação durante o período de trabalho deve ser estratégica. Consumir alimentos leves e que tenham fácil digestão, sem dúvidas é a melhor opção. Também é importante incluir alimentos energéticos, já que para aguentar a rotina de plantão, toda disposição é sempre bem-vinda.

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