Tentativa de golpe de estado na Jordânia preocupa parte do mundo

3

As prisões realizadas no último fim de semana na casa real da Jordânia, no contexto de uma tentativa de golpe de estado, agitaram os aliados históricos do país, especialmente as nações ocidentais. No momento, as autoridades jordanianas ofereceram amplas garantias sobre a segurança interna, mas analistas temem que as detenções sejam um sintoma de tensões e movimentos mais generalizados, que podem ter consequências em curto prazo.

Circundada por Israel, Iraque, Arábia Saudita e Síria, a Jordânia tem sido governada por uma monarquia desde seu nascimento na década de 1940, e historicamente é um dos países mais estáveis ​​do Oriente Médio. Graças a uma astuta política externa, o país fez boas relações tanto com o mundo árabe quanto com o Ocidente. Nas últimas décadas também teve um bom crescimento econômico apoiado pelo setor do turismo, que representa entre 10 e 20% do PIB nacional. O relativo bem-estar do país permitiu receber cerca de 600 mil sírios que fugiam da guerra civil iniciada em 2011.

Contudo, analistas explicam que por trás da aparente solidez do país existem algumas rachaduras.

Prisões na Jordânia

O mais famoso dos presos do último sábado (3) é o ex-príncipe herdeiro Hamzah bin Hussein, meio-irmão do rei Abdullah II. O pai que eles têm em comum, o rei Hussein, é considerado o fundador da Jordânia moderna: ele permaneceu no cargo por quase meio século, de 1952 a 1999. Nas últimas semanas de sua vida, ele surpreendentemente nomeou Abdullah como seu sucessor, apesar de Hamzah ser considerado por alguns como o filho favorito – fruto da união com a quarta e mais antiga esposa, Nur. 

Rei da Jordânia Abdullah II
Rei Abdullah II (Reprodução: Daily Sabah)

Além disso, em 2004, Abdullah II retirou o título de príncipe de Hamzah para atribuí-lo ao filho Hussein bin Abdullah, que tinha apenas 10 anos. Desde então, tem havido uma hostilidade mais ou menos explícita entre os dois ramos da família.

Hamzah há muito tentava criar uma rede alternativa de relacionamentos à do rei Abdullah II, tanto na família real quanto entre as tribos mais poderosas do país. Muitos jordanianos pertencem a tribos e clãs, cujos líderes têm papéis proeminentes no exército e na polícia, além de ter peso nas decisões do rei e do governo. 

Conforme a mídia internacional, Hamzah teria se aproximado de Bassem Awadallah, um ex-ministro das finanças que foi destituído em 2010 por motivos obscuros. Desde então, ele possui uma estreita relação com os líderes da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.

Em um vídeo divulgado por Hamzah após a prisão, o ex-príncipe acusa o governo e a casa real de corrupção e crescente autoritarismo, ecoando as acusações expressas por milhares de pessoas que tomaram as ruas em 2020. Na época dos protestos, o governo e a monarquia reagiram prendendo mais de mil manifestantes.

Os efeitos das prisões

Qualquer desestabilização da Jordânia pode ter consequências potencialmente muito sérias em todo o Oriente Médio. Isso significaria menos controle na área do rio Jordão, que marca a fronteira com Israel, bem como provável competição entre outros países da área para influenciar o resultado da luta pelo poder na monarquia.

Após as prisões, os Estados Unidos e Israel expressaram mensagens de solidariedade a Abdullah, assim como a Arábia Saudita. A monarquia e o aparato de segurança jordaniano tentaram mostrar estabilidade ao mundo, ressaltando que as prisões não causaram manifestações de rua ou novas tensões.

Leia também: Carro atropela dois policiais na porta do Congresso dos EUA

Leia Também:

3 Comentários
  1. […] Leia mais: Tentativa de golpe de estado na Jordânia preocupa parte do mundo […]

  2. […] Leia também: Tentativa de golpe de estado na Jordânia preocupa parte do mundo […]

  3. […] Leia também: Tentativa de golpe de estado na Jordânia preocupa parte do mundo […]

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.