Simone de Beauvoir: Segundo Sexo – Resumo e frases

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Durante todo o surgimento da sociedade, discutiu-se sobre o que seria uma mulher: uns dizem ser todas as que têm um útero, outros, que apenas um útero não torna uma fêmea feminina. Desta forma, Simone de Beauvoir inicia uma de suas obras mais famosas: O Segundo Sexo.

Muitas mulheres e militantes acreditam que são como os homens, se tornaram eles próprios: desejam sua força e hormônios. Outros, acreditam que o conceito de mulher já não existe, que somos todos seres humanos. Contudo, é claro que a espécie humana é dividida em dois ramos, eles possuem gostos e características distintas entre si. Então, muitos filósofos tentaram justificar essa diferença:

Simone de Beauvoir: o segundo sexo
(página 12)

Simone de Beauvoir: A mulher como o Outro

A mulher sempre foi considerada o outro enquanto o homem é a essência, sujeito: todas as pessoas que não pertencem ao mesmo lugarejo são “outros” e suspeitos, os judeus são “outros” para os antissemita, assim como os indígenas são para os colonos, ou os negros para os racistas. Muitas vezes, um grupo que é minoria pode sentir-se perseguido pela maioria. Contudo, as mulheres não são uma minoria: existe uma quantidade parecida de homens e mulheres na terra.

Para Simone de Beauvoir, a submissão ocorre com o fato histórico, como por exemplo, a diáspora judaica, a escravidão. Todos os fatos podem ser explicados pela dominação do mais forte em determinado momento, sendo dois elementos responsáveis por essa luta: cultura e religião.

Apesar disso, o proletariado e a outra classe ainda conseguem dizer “nós”, tratando os dominantes como os outros. Entretanto, o mesmo não ocorre com as mulheres: elas sempre são as outras, simplesmente aceitam essa condição.

“Os proletários fizeram a revolução na Rússia, os negros, no Haiti, os indochineses bateram-se na Indochina: a ação das mulheres nunca passou de uma agitação simbólica; só ganharam o que os homens concordaram em lhes conceder; elas não tomaram; elas receberam” – Simone de Beauvoir – (16)

Qual o enorme problema?

O enorme problema é que todos os trabalhadores e parcelas oprimidas se unem, enquanto as mulheres se mantém separadas: As brancas não têm empatia pelas negras, as burguesas são solidárias apenas dos burgueses. A necessidade biológica do macho sobre a fêmea não a liberta, é apenas uma relação de escravidão. O senhor não expõe a necessidade que tem do outro, o escravo então, interioriza seu medo e necessidade.

Simone de Beauvoir: trechos.
Simone de Beauvoir: trechos

Simone de Beauvoir e o ponto de vista psicanalítico

Simone de Beauvoir diz que do ponto de vista psicanalítico, a mulher não se define pela natureza: ela se define retomando a natureza em sua afetividade. Em suma, durante muito tempo no ponto de vista da psicanálise, a mulher que tinha um orgasmo era viril: o impulso sexual tem apenas uma direção e a mulher estaria no meio do caminho. Dizia até mesmo o sexólogo Maranon: ” A libido é, pode-se dizer, uma força de sentido viril. Diremos o mesmo do orgasmo.” Já Freud, acredita que a mulher pode ter orgasmos, contudo, suas teorias não passam disso: não estuda em essência a libido feminina.

Freud estudou sobre a sexualidade masculina desde a infância: abordou o complexo de Édipo e o complexo de castração. Ambos se devem pelo filho se apegar à mãe e querer ser como o pai, tomar sua autoridade e exemplos. A criança teme que seu pai tentará mutilá-lo (complexo de castração) e por isso, sente-se frustrado. Desta forma, surge o superego. O neurologista descreveu profundamente sobre esse ocorrido juntamente com o complexo de Electra, mas como sabemos, o último fora tratado de maneira superficial.

Complexo de Electra

No complexo de Electra, a menina aos 5 anos (fase oral) sente-se atraída pelo pai reagindo à ausência de um pênis pelo complexo de castração. Ela renuncia sua pretensão e identifica-se com a mãe para seduzir seu pai. Pode-se notar que o drama sexual e a dor que a menina sente pode ser (e na maioria das vezes é) muito maior que o menino sente. Contudo, apesar disso, nunca recebeu a devida atenção. Em suma, a menina se obstina a cobiçar um pênis e identifica-se com o pai, essa atitude a conduz a permanecer do estágio clitoriano, tornando-se frígida ou até mesmo a voltar-se para homossexualidade.

O pênis para a moça seria resultado de repugnância, a inveja resultaria de uma valorização prévia da virilidade: Freud apenas a encara como existente e não sabe como explicar.

Adler trata o complexo de Electra de forma diferente de Freud. Para ele, existe em todo indivíduo o desejo de uma distância entre a sua pessoa e a sociedade, isso se deve pelo complexo de inferioridade. Portanto, não seria a ausência de um pênis que provocaria o complexo de Electra e sim, a neurose de uma perturbação no sentido social: A ideia de superioridade masculina, o pai como superior em uma família, a educação e o privilégio que os homens possuem. A consequência disso, é que a mulher irá desejar ser dominada em um relacionamento: sente que o homem é o ser superior.

“Um homem está no seu direito sendo homem, é a mulher que está errada.” (12)

Freud e Adler: Sexualidade
(página 74)

O pênis idolatrado e o contexto existencial de Simone

Para Simone de Beauvoir, o pênis como algo idolatrado pode ser observado por um fato existencial: a tendência do sujeito para a alienação. Sempre que o indivíduo sai da desmama, procura desesperadamente algo para se apegar e então o pênis ocupa o papel de duplo, ele é tratado como um novo pequeno personagem. Então, se a mulher se afirmasse como sujeito, obteria um enorme lugar de fala: o pênis não seria mais idolatrado, o privilégio anatômico evolui para humano.

“O pênis é posto pelo sujeito como si mesmo e outro que não si mesmo; a transcendência específica encarna-se nele de maneiro apreensível e ele é fonte de orgulho” – Segundo Sexo / Simone de Beauvoir

Em particular, a psicanálise se resumia em explicar porque a mulher é o outro e o próprio Freud admitia o prestígio do pênis devido à soberania do pai. Contudo, o problema sempre foi que ele nunca soube explicar porquê o pai é superior.

Para os psicanalistas, as condutas femininas só ocorrem após o processo de alienação, sendo viris todas aquelas que afirmam sua transcendência. Ou então, todas as vezes que uma mulher age como o ser humano, afirmam que imita um homem: apenas o homem é um ser humano enquanto ela é a fêmea mutilada.

Simone de Beauvoir: Materialismo histórico e a opressão feminina

Diferente da psicanálise que trata a mulher como uma síntese de seus desejos sexuais, o materialismo reflete a mulher como o produto de circunstâncias históricas. Portanto, podemos dizer que a superioridade teria surgido inicialmente de uma necessidade. Apesar disso, atualmente o manejo de maquinários não exigem mais características vis que os homens tinham para se tornaram os protagonistas. Em suma, se agora o mínimo necessário não é superior às capacidades femininas, ela torna-se igual ou melhor que o homem no trabalho.

Apesar de na idade da pedra o homem ser considerado superior pela força, a mulher também tinha a importância no contexto econômico, mesmo estando em casa poderia produzir vasilhas e muitas outras coisas. No entanto, essa quase igualdade sumiu após o surgimento da propriedade privada: o senhor se acha dono dos escravos e da sua esposa. Nisso consiste a grande derrota do sexo feminino na história.

Ela perde toda a sua importância na produção e torna-se insignificante. O sexo feminino só conseguiria retomar sua importância após a revolução industrial. Isso se deve pois admite-se seu serviço. No entanto, igualdade estaria perto de existir se não existisse a resistência paternalista capitalista. Em suma, todo o pivô na história se deveria pela passagem da propriedade comunitária para a particular.

Hegel e sua argumentação

Hegel também argumenta que a fraqueza da mulher só a tornou inferior na relação com ferramentas de bronze e ferro, não sendo admissível esse pensamento na atualidade. No entanto, suprimir este bem não libertaria a mulher.

Como exemplo disso, tempos esparta e o regime nazista: mesmo que ela esteja totalmente ligada ao governo. Portanto, isso não impedia que ela sofresse opressão entre os homens.

Para ler a obra em sua íntegra, você pode acessar clicando aqui.

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