Sem abrigo, imigrantes voltam a acampamento destruído pelo fogo na Bósnia

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Quase mil imigrantes precisaram voltar nesta quarta-feira (30) ao antigo acampamento que foi destruído por um incêndio na semana passada em Lipa, na Bósnia. Isso porque a transferência para outro local foi cancelada em meio a protestos dos residentes. De volta ao campo devastado e sem abrigo, os imigrantes enfrentam o frio do rigoroso inverno europeu.

Imigrantes na Bósnia
Imigrante nos restos do acampamento destruído em Lipa, no noroeste da Bósnia (IOM/Ervin Causevic)

O campo de imigrantes de Lipa, no noroeste da Bósnia, perto da fronteira com a Croácia, pegou fogo em 23 de dezembro enquanto era desmontado. A instalação foi criada como uma medida temporária durante o verão para lidar com covid-19. No entanto, o local não tinha água encanada ou eletricidade, “condições gravemente abaixo do padrão” pelo comissário de direitos humanos do Conselho da Europa.

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Cerca de 900 dos 1.400 ex-residentes do campo deveriam ser transferidos para um antigo quartel do exército na parte central da Bósnia na última terça-feira (29). Mas segundo a imprensa internacional, eles passaram 24 horas em ônibus antes de serem instruídos a desembarcar e retornar ao acampamento devastado.

Imigrantes na Bósnia

O acampamento de Lipa foi construído no início deste ano em resposta à superlotação e às condições inadequadas em outros lugares. Nunca foi “invernizado”, um processo que geralmente inclui a adição de tapetes térmicos e isolamento aos abrigos, bem como a distribuição de cobertores, fogões de aquecimento e combustível, para aumentar a proteção.   

As agências humanitárias têm alertado sobre os riscos aos quais os imigrantes e requerentes de asilo estariam expostos, principalmente durante os meses frios.

 “Com as recentes nevascas e temperaturas abaixo de zero, até 500 pessoas atualmente presas no local do antigo acampamento de Lipa estão em risco imediato de segurança, saúde e proteção”, declara o comunicado conjunto das agências. O documento é assinado pela Organização Internacional das Nações Unidas para as Migrações (OIM) e o Escritório do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR).

As agências da ONU se juntaram às ONGs humanitárias Danish Refugee Council, Medecins Du Monde e Save the Children, que alertaram sobre os riscos à saúde dos imigrantes. “Sem aquecimento no local, ulcerações, hipotermia e outros graves problemas de saúde já são relatados pelos presos no local. Apesar dos esforços dos atores humanitários para fornecer assistência de emergência, suas vidas estão em risco imediato”, completa o comunicado.

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