Rússia multará redes sociais por incentivar protestos contra Putin

0

A Rússia anunciou nesta quarta-feira (27) que multará as empresas de redes sociais por não deletar postagens que incentivem os jovens a participar de protestos contra o presidente russo Vladimir Putin. Facebook, Twitter, TikTok e outras mídias sociais russas “não cumpriram” a exigência do governo de remover 170 publicações, conforme o órgão de vigilância do governo. As multas podem chegar a 4 milhões de rublos, ou seja, cerca de R$ 285,3 mil. 

No último sábado (23), dezenas de milhares de pessoas desafiaram a forte presença policial em foram às ruas em mais de 100 cidades do país, apesar da proibição. Os protestos contra Putin apoiavam o líder da oposição, Alexei Navalny, preso ao chegar na Rússia depois de receber tratamento por meses na Alemanha. Ele foi envenenado e acusa o serviço secreto russo de tentativa de assassinato.

De acordo com a BBC, postagens promovendo os protestos contam com centenas de milhões de visualizações no TikTok. A enxurrada de vídeos levou o órgão de vigilância da mídia oficial da Rússia, o Roskomnadzor, a exigir que o aplicativo retirasse qualquer informação que encoraja “menores a agir ilegalmente”.

A pedido de Roskomnadzor, VK.ru, uma rede social russa, e YouTube teriam removido cerca de 50% das postagens, TikTok 38% e Instagram 17%.

Leia também: Romênia criminaliza criação de perfil fake em redes sociais

O Roskomnadzor informou que as empresas de mídia social receberão as multas “por não cumprirem os requisitos para suprimir a propagação de chamadas para menores de participar de comícios não autorizados”.

Os apelos para que menores de 18 anos participem de protestos são proibidos na Rússia, assim como as manifestações em massa que não receberam aprovação prévia das autoridades.

Protestos contra Putin

Alexei Navalny, o crítico mais influente de Putin, convocou os protestos depois de ser preso no aeroporto de Moscou. Os aliados reforçaram o engajamento contra o presidente russo nas manifestações. De acordo com o OVD-Info, que monitora prisões durante manifestações de oposição, a polícia prendeu 3.324 manifestantes no balanço final do dia.

Na capital Moscou, segundo a polícia, cerca de 4 mil pessoas participaram dos protestos. Mas um cálculo da Reuters estimou que eram pelo menos dez vezes mais. As manifestações também ocorreram em pequenas e remotas cidades da Sibéria, e a poucos quilômetros do Japão.

Conforme o The Guardian, os protestos do fim de semana foram os mais generalizados e extensos desde 2012, quando houve fraudes e irregularidades durante as eleições presidenciais vencidas por Vladimir Putin.

Leia Também:

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.