ROMEU E JULIETA: Resumo e crítica da obra

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Escrita por William Shakespeare cerca do ano de 1595, “Romeu e Julieta” possui a história fundamentada em uma novela de um século antes que fora extraída de um conto medieval.  Shakespeare elaborou o enredo que atualmente é considerado “a mais bela história de amor de todos os tempos”. A obra narra todas as desventuras de dois adolescentes cuja morte acaba unindo as duas famílias que estavam em conflito. O enredo aborda o enorme inconformismo juvenil, em que nem os próprios personagens se entendem. Os jovens precisam seguir regras que não estão de acordo, decidem ir contra a maré e contestar a tudo. A história se passa em Verona e tem como protagonistas Romeu Montecchio e Julieta Capuleto. Ao ler algumas obras de Shakespeare, podemos ter certeza que Romeu e Julieta não trata apenas de uma história de amor.

Resumo de Romeu e Julieta

Filhos únicos das famílias que estão em conflito, eles se conhecem durante um baile de máscaras e se apaixonam profundamente. Ambos os jovens já se encontravam comprometidos e rompem todos os laços para permanecerem juntos. Eles vivem um amor às escondidas e realizam até mesmo um casamento sem que ninguém soubesse, tudo isso ocorre em menos de uma semana.

Uma briga ocorre entre o primo de Julieta e um amigo de Romeu, sendo que este, deveria ser exilado. A amante preocupada com a perda de seu amado, pede ajuda ao frei e toma uma poção que irá fazer com que ela pareça morta. Ao encontrar sua mulher no túmulo dos Capulento, decide tomar o veneno que comprou (ele não fora avisado que ela não havia realmente morrido, decidiria provocar a própria morte), então, quando ela acorda e o encontra morto, se suicida com seu punhal. O intuito de fazer Julieta tomar a substância é que Romeu a encontraria e fugiria com a moça.

Adolescência e dias atuais – Crítica de Romeu e Julieta

Muitos adolescentes atualmente romantizam e idealizam a obra como uma meta de relacionamento, sendo que muitos deles, ao menos leram o livro em sua íntegra. “Romeu e Julieta retrata a história de um amor real e platônico em que os personagens lutam contra as adversidades. Eles recorrem à morte por não conseguirem viver juntos.” Mas será que é apenas isso?

Inicialmente Romeu chora todas as manhãs por amar uma moça que não poderia ficar com ele: seus pais se preocupam. Seu amigo Benvólio o convida para ir ao baile e esquecer o seu grande amor. Rosalina (seu grande amor) é descrita como o objeto inalcançável e beleza suprema, contudo, cai rapidamente em esquecimento quando o jovem encontra Julieta no salão de festas. O amor não seria a eternidade de cada segundo: pode rapidamente ser esquecido, por mais que se ache que não.

Já no próximo dia ao ocorrido, os jovens trocam seus votos e já decidem se casar no mesmo dia. Se o primeiro ato trata sobre assuntos imprevisíveis, o segundo trataria sobre a impulsão. Nos últimos atos, ocorrem as medidas mais desesperadas: a morte, traição da família e confrontos. Em suma, é uma ideia de amor idealizada e equivocada: a intensidade e o desespero fazem parte dela em todos os instantes. Será mesmo que o amor ideal duraria menos de uma semana?

ROMEU E JULIETA: O bovarismo exacerbado?

Em um outro artigo abordamos sobre a obra Madame Bovary e o bovarismo que surgiu após os estudos deste enredo. O mesmo que ocorre com Emma Bovary pode ocorrer na obra de Romeu e Julieta: a idealização de um amor perfeito, o desespero e a dependência de outra pessoa. Observe um trecho que aborda mais sobre a história e sua relação com o Bovarismo: “De forma quase inevitável, Sra. Bovary deseja buscar suas paixões fora da união: Embarca em dois casos destinados ao fracasso.

O primeiro deles é Rodolphe, um rico proprietário de terras e conquistador. O segundo é Léon Dupois, um jovem estudante de direito que compartilha com Emma sonhos magníficos. Sendo assim, apesar da grande excitação no início, Sra Bovary acaba se desiludindo: “O adultério, Emma estava descobrindo, podia ser tão banal quanto o casamento.” Após ser abandonada pelos dois amantes, a protagonista se pendura na autodestruição e dívidas.”

A partir do lançamento da obra Madame Bovary, a idealização do amor levou milhares de pessoas a uma contínua frustração e decepção. Portanto, a busca por esse “amor ideal” sempre termina em conflito com a percepção realista de uma relação conjugal. As características, por mais que não sejam idênticas, podem ser relacionadas com Romeu e Julieta: os adolescentes agem de forma precipitada, pensam somente pelo amor que nutrem um pelo outro e não se preocupam com mais nada além da união de ambos e quando essa se encontra ameaçada junto com a dependência, recorrem ao suicídio.

Principais características  e o Bovarismo

O vício no romance: Vivem com a ideia de que chegará um ser ideal que mudará suas vidas e vai salvá-las da rotina e dos problemas, tornando-se independentes a este pensamento. Portanto quando deixam um relacionamento, não demoram muito para começar outro (Como Romeu fez com sua primeira amada).

Relações impossíveis: As relações complicadas com pessoas atormentadas as atraem por considerá-las românticas e apaixonadas. Pode até acontecer que já tenham um companheiro e mesmo assim continuam perseguindo a ilusão do amor ideal com outra pessoa.

Insatisfação constante: Quando descobrem que seu parceiro também possui defeitos, a idealização desaparece e a pessoa tende a ficar frustrada, buscando maneiras para fugir: gastos, traições. Ou então, quando se encontram no início do relacionamento, tendem a se tornarem obcecados e completamente submissos e dependentes, tomando atitudes descontroladas sem a prévia análise.

Copiação de gostos: Em suma, começam a imitar todos os gostos do parceiro, suas comidas favoritas, obras e filmes favoritos, entre outros. A mimese se produz pela exagerada admiração que sentem pela outra pessoa, mas também pelo medo.

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