Principal erro do Brasil no combate à Covid-19 foi a falta de coordenação nacional, aponta estudo

Politização da pandemia prejudicou enfrentamento ao coronavírus no país

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De acordo com um estudo publicado na revista americana Science, o principal erro do Brasil no enfrentamento à Covid-19 foi a falta de coordenação nacional. Os cientistas apontam que o coronavírus se espalhou rapidamente na maioria dos estados do país e que as diferentes políticas de combate à pandemia colaboraram para propagá-lo.

“Sem uma estratégia nacional coordenada, as respostas locais variaram em forma, intensidade, duração e horários de início e fim, até certo ponto associadas a alinhamentos políticos.”, apontou o estudo. “A resposta federal tem sido uma combinação perigosa de inação e irregularidades, incluindo a promoção da cloroquina como tratamento, apesar da falta de evidências.”, acrescentou.

Segundo os pesquisadores, o fato de diferentes cidades aplicarem e relaxarem medidas restritivas em diferentes momentos da pandemia facilitou o espalhamento do coronavírus no Brasil, já que o país possui uma “densa rede urbana”.

O estudo traz um comparativo sobre a evolução do número de casos e mortes em diversos estados brasileiros. Na média geral, o país levou 17,3 dias para chegar a 50 casos, e 32,3 dias para chegar a 50 óbitos. Mas em estados como Ceará, Amazonas e Rio de Janeiro, levou menos tempo para que o primeiro óbito fosse registrado, evidenciando que o coronavírus já estava em circulação antes de ser detectado pela primeira vez.

“Este curto intervalo sugere introdução não detectada (e, portanto, não mitigada) e propagação do vírus por algum tempo. Isso foi confirmado no Ceará, onde investigação epidemiológica retrospectiva revelou que o vírus já circulava em janeiro.”, explica.

Outro ponto que dificultou o combate à Covid-19 no Brasil é o fato de o país ter dimensões continentais com grandes diferenças na estrutura hospitalar entre os estados, o que causa disparidade na capacidade de cada região enfrentar o coronavírus.

Politização da pandemia prejudicou combate à Covid-19 no Brasil

A “politização” ou “polarização” da pandemia também contribuiu para a crise sanitária causada pela Covid-19. “O alinhamento político entre governadores e presidente teve um papel no momento e na intensidade das medidas de distanciamento, e a polarização politizou a pandemia com consequências para a adesão às ações de controle”, aponta o estudo.

Com o descontrole da pandemia no Brasil, novas variantes do coronavírus surgiram no país por conta da alta taxa de transmissão, tornando o país “uma ameaça global”.

“O fracasso em evitar essa nova rodada de propagação facilitará o surgimento de novas variantes, isolará o Brasil como uma ameaça à segurança da saúde global e levará a uma crise humanitária completamente evitável.”, alertam os pesquisadores.

No total, o Brasil registrou 362.180 mortes por Covid-19 e 13.677.564 casos confirmados desde o começo da pandemia. Ontem (14), foram contabilizados 3.462 novos óbitos e mais de 70 mil novas infecções.

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