Presidente de Uganda é reeleito para sexto mandato e oposição acusa fraude eleitoral

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A comissão eleitoral de Uganda confirmou que Yoweri Museveni, que governou o país por 35 anos, foi reeleito presidente e negou que houvesse qualquer fraude alegada pela oposição. Ele recebeu 59% dos votos, enquanto o rival, o cantor e político Bobi Wine, obteve 35%. 

De acordo com a Justiça eleitoral do país, 52% das 18 milhões de pessoas aptas para votar compareceram às urnas. As eleições da última quinta-feira (14) ocorreram após uma campanha eleitoral agitada e violenta. 

Dezenas de pessoas morreram e o próprio Bobi Wine foi  preso e espancado várias vezes pelos militares, conforme a imprensa internacional. Friday Bobi Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, escreveu no Twitter que os militares de Uganda “assumiram o controle” de sua casa.

De acordo com os aliados de Wine, ele está em prisão domiciliar. O Exército diz que os militares cercaram a propriedade do opositor do governo “para protegê-lo”, conforme a agência de notícias Reuters.  Além disso, os militares não permitiram que jornalistas internacionais tentassem falar com Wine.

A oposição afirma que vai contestar o resultado da eleição na Justiça de Uganda. Wine disse que divulgaria evidências em vídeo de fraude eleitoral assim que as redes sociais, bloqueadas desde o começo da semana, voltassem a funcionar.

Presidente de Uganda pela sexta vez

Com a vitória eleitoral, Yoweri Museveni, de 76 anos, inicia o sexto mandato consecutivo. Ele assumiu o poder em 1986 após liderar um levante armado de vários anos que derrubou o governo anterior. 

No início da carreira como presidente, ele conseguiu dar estabilidade política a Uganda e, internacionalmente, foi saudado como o símbolo de uma nova classe dominante africana. Ao longo do governo, ele reduziu muito a pobreza ao fazer crescer a economia de Uganda. 

Nas décadas de 1980 e 1990, Museveni conseguiu conter a disseminação da AIDS e, recentemente, lidou com a pandemia de coronavírus melhor do que muitos países, conforme a mídia internacional.

Com o tempo, entretanto, o governo se tornou cada vez mais autoritário e Museveni enfraqueceu outras instituições de Uganda para minimizar a dissidência e a oposição. Ele também alterou a constituição do país várias vezes para continuar a ser eleito presidente.

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