Pesquisa confirma transmissão sexual do vírus zika em Pernambuco

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Um estudo encontrou evidências científicas da importância da transmissão sexual do vírus na epidemia de zika em Pernambuco. Com isso, é possível demonstrar que a transmissão sexual do vírus da zika tem um papel muito importante na epidemia.

Essa pesquisa foi realizada pela Fiocruz Pernambuco, em colaboração com a Universidade Estadual do Colorado (CSU) dos Estados Unidos. De acordo com a Fundação, esse é o primeiro estudo brasileiro a chegar a essa conclusão e o segundo no mundo, uma vez que o anterior foi realizado em Porto Rico (2019). 

“A via sexual não parece ser unicamente responsável pelo contágio sustentado do zika, mas associada à transmissão pelo mosquito pode contribuir significativamente para a disseminação eficiente do vírus”, explica a pesquisadora Tereza Magalhães (CSU e Fiocruz PE), que coordenou o projeto, em matéria divulgada pela Fundação.

De acordo com a divulgação, outras investigações anteriores já haviam comprovado a existência desta forma de transmissão em localidades sem a presença do mosquito Aedes aegypti. Contudo, essas pesquisas não indicavam a relevância desse fator na epidemia. Na contramão, o estudo pernambucano ressaltou que essa contribuição é significativa.

Dados da Pesquisa

Como procedimento metodológico, a pesquisa enxergou a transmissão sexual de forma separada da vetorial. Realizado entre maio de 2015 e maio de 2016, o estudo recrutou pacientes atendidos na UPA de Paulista (PE) com sintomas sugestivos de dengue. Além disso, o trabalho foi realizado em colaboração com o pesquisador da Universidade de Heidelberg (Alemanha) e CSU, Thomas Jaenisch.

“O resultado foi surpreendente, pois, ao final das análises, 60% dentre os mais de duzentos e cinquenta pacientes estudados foram casos confirmados de infecções com os vírus Zika e chikungunya, sendo pouquíssimos casos de dengue. Portanto, esse estudo se revelou um importante registro do período final da epidemia de Zika e do posterior crescimento dos casos de chikungunya em Pernambuco, doenças que haviam se instalado silenciosamente na população”, explicou a Fiocruz.

Para isso, foram coletadas amostras de sangue, realizados testes sorológicos e aplicados questionários, para responder a dois tipos de análise. “Primeiro foi avaliado o risco da pessoa ser positiva para zika ou chikungunya quando morando com paciente index soropositivo para o respectivo vírus, sendo ela parceira sexual ou não. Depois, esse mesmo risco foi observado em todos os pares de uma mesma residência, independente de serem formados pelo paciente index”, explicou.

Os resultados apontaram que, no caso do zika, o risco de ter sido exposto ao vírus foi significativamente maior para o parceiro sexual do que para o morador no mesmo espaço que não era parceiro sexual. Para chikungunya, utilizado nessa pesquisa como “controle”, o resultado foi bem diferente e o risco se mostrou igual para todos os moradores.

“O estudo mostrou que a transmissão sexual do zika em áreas endêmicas, associada à transmissão vetorial, pode ter sido um dos fatores responsáveis pela rápida disseminação do vírus nas Américas e em outras regiões afetadas pela pandemia em 2015/2016”, apontou a Fiocruz.

Com informações da Fiocruz

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