Pazuello é cotado para comandar secretaria de Modernização

Ex-ministro da Saúde participou de visita do presidente Bolsonaro a cidade do interior de Goiás; Pazuello será investigado pela CPI da Covid

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O ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, deve ganhar nos próximos dias o comando da Secretaria Especial de Modernização do Estado (Seme).

No último sábado (17), o presidente Jair Bolsonaro levou o ex-ministro para uma viagem ao interior de Goiás, onde causou aglomeração e se recusou a usar máscaras apesar de o país registrar mais de 3 mil mortes diárias pela Covid-19.

A atitude pode ser encarada como uma demonstração de confiança no militar que deve ser um dos principais alvos da CPI da Covid.

A secretaria de Modernização é subordinada à Secretaria-Geral da Presidência, chefiada pelo ministro Onyx Lorenzoni, e atualmente tem à frente o procurador da Fazenda Nacional, Sérgio Augusto de Queiroz.

Se confirmado no cargo, Pazuello passará a despachar do Palácio do Planalto.

A expectativa é de que a nomeação seja publicada nos próximos dias no Diário Oficial da União.

Pazuello na Seme

Segundo fontes de governo, a Seme foi a solução encontrada para abrigar Pazuello, que deixou o Ministério da Saúde no último dia 23 de março, data da publicação no Diário Oficial.

Sem encontrar um cargo para o ex-ministro imediatamente, o general acabou retornado às suas funções no Exército, mas com a promessa do presidente de que voltaria ao governo.

Inicialmente, chegou a ser cogitado entregar um ministério para que Pazuello mantivesse o foro privilegiado, o que gerou disputa no governo.

Outros cargos também foram considerados para dar uma “saída honrosa” para o ex-ministro, o que não ocorreu também devido à resistência interna.

A secretaria especial não tem direito a foro privilegiado.

Acusações contra Pazuello

O ex-ministro responde a um inquérito que apura a responsabilidade na crise na saúde pública de Manaus, que registrou falta de oxigênio medicinal em hospitais em janeiro.

O inquérito corria inicialmente no Supremo Tribunal Federal, mas no último dia 24 de março, o ministro Lewandowski determinou o envio do processo para a primeira instância após Pazuello ter sido demitido por Jair Bolsonaro e, portanto, perder o foro privilegiado.

A defesa do ex-ministro, no entanto, segue sendo feita pela Advocacia-Geral da União.

O anúncio da demissão de Pazuello foi feito por Bolsonaro no dia 15 de março em meio à escalada de mortes pelo novo coronavírus.

O atual ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga, chegou ao governo com o discurso pró-ciência e pedindo que a população use máscara e mantenha o distanciamento social.

A recomendação foi contrariada pelo presidente neste sábado ao visitar a cidade de Goianópolis, a 160 quilômetros de Brasília, ao lado de Pazuello e do ministro da Defesa, Walter Braga Netto.

No local, Bolsonaro cumprimentou apoiadores, alguns deles também sem máscara, incluindo idosos e crianças.

A saída do presidente ocorre em um momento em que o país tem superado, diariamente, mais de 3 mil mortes por Covid-19.

Na última sexta-feira (16) , em edição extra do Diário Oficial, a Presidência autorizou a abertura de crédito extraordinário de R$ 2,6 bilhões para o Ministério da Saúde, focado no custeio de leitos UTI e aquisição de medicamentos.

O Brasil registrou 2.865 mortes pela Covid-19 nas últimas 24 horas e totalizou neste sábado (17) 371.889 óbitos desde o início da pandemia.

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1 comentário
  1. […] De acordo com o jornal O Globo, o mais provável é que ele comande a Secretaria Especial de Modernização de Estado. […]

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