Para especialistas em Saúde, não encarar a pandemia de frente fez com que o país chegasse a alto número de mortes

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O Brasil se aproxima de um recorde assustador: a sua primeira centena de mortos decorrentes da COVID-19. O país está perto de completar 100.000 vidas perdidas, contando-se desde que o primeiro caso foi contabilizado.

Para entender a razão pela qual as mortes se multiplicaram tanto dentre os brasileiros, o portal UOL fez algumas entrevistas com especialistas em Saúde e existe um consenso entre eles: não enfrentar a pandemia de frente, de forma enérgica e com medidas baseadas na Ciência, fez com que a quantidade de mortes subisse muito.

Além disso, grande parte dos especialistas em Saúde aponta que um dos responsáveis para que o país não levasse tão a sério a pandemia de COVID-19 foi o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Durante vários meses, o presidente declarou que o coronavírus só afetaria mais seriamente os idosos, mas que ele mesmo não passaria muito mal se fosse contaminado por causa do seu histórico de atleta. Recentemente, ele se contaminou, ficou três semanas em isolamento e desenvolveu uma infecção pulmonar secundária.

Em algumas ocasiões, o presidente chegou a chamar a pandemia de COVID-19 de uma gripezinha. Para os especialistas em Saúde ouvidos pelo UOL, a postura do presidente ajudou a fazer com que as pessoas não vissem a situação da forma como ela era de verdade: bastante grave.

Para Natalia Pasternak, que trabalha como microbiologista da Universidade de São Paulo, o que aconteceu foi que o governo brasileiro não ouviu a Ciência e tentou se basear no que ela própria nomeou como “soluções mágicas”.

Apesar de não citar nomes, é muito provável que Natalia estivesse se referindo à cloroquina e à hidroxicloroquina, apontadas pelo presidente Jair Bolsonaro como fundamentais no tratamento da COVID-19 em pacientes com todos os níveis de gravidade. A decisão do presidente de colocar essas substâncias no protocolo de tratamento veio mesmo após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar que não as estudaria mais devido à falta de eficácia.

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